Sinto os nossos dias mais velhos
Vão-se depressa e correm lentos
Entre duas rugas de tom amarelo
Que maltrapilhas qual fendrelhos
Se calam à passagem dos ventos
Nas mentiras d'um olhar paralelo
Em outras castas marés de antes
Quando o sol era meu e de todos
Tua lua sorria amante e matreira
A chuva ciciava a uns ignorantes
Como depois dos dias bastardos
Vadiavam outros em brincadeira
Tudo mais era-lhe pouco e tanto
Ao tempo que passou em frente
Ou quiçá atrás de outras gentes
Podre era puro e o puro encanto
Quando o ego cego via diferente
No dia que à noite pouco sentes
A Poesia é o Bálsamo Harmonioso da Alma