Poemas : 

Desmarcação

 
Marcado
estás desde o primeiro dia
e vais-te marcando, deixando a tua marca.

Dito és
um rosto da voz
que se prolonga como eco no silêncio.

Nas tuas mãos
tens o barro com que te moldas,
poderás, nele, mascarar qualquer figura.

Nos pés há o caminho
que sozinho irás,
nas marés ímpias das rochas.

Tens o todo
que todos têm,
os perfumes da natureza cabem no teu olfacto.

Vens
para onde todos vão,
sombreado de colinas e curvas, vales e pontes.


Sou fiel ao ardor,
amo esta espécie de verão
que de longe me vem morrer às mãos
e juro que ao fazer da palavra
morada do silêncio
não há outra razão.

Eugénio de Andrade

Saibam que agradeço todos os comentários.
Por regra, não respondo.

 
Autor
Rogério Beça
 
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