Marcado
estás desde o primeiro dia
e vais-te marcando, deixando a tua marca.
Dito és
um rosto da voz
que se prolonga como eco no silêncio.
Nas tuas mãos
tens o barro com que te moldas,
poderás, nele, mascarar qualquer figura.
Nos pés há o caminho
que sozinho irás,
nas marés ímpias das rochas.
Tens o todo
que todos têm,
os perfumes da natureza cabem no teu olfacto.
Vens
para onde todos vão,
sombreado de colinas e curvas, vales e pontes.
Sou fiel ao ardor,
amo esta espécie de verão
que de longe me vem morrer às mãos
e juro que ao fazer da palavra
morada do silêncio
não há outra razão.
Eugénio de Andrade
Saibam que agradeço todos os comentários.
Por regra, não respondo.