
Sem Meu Enterro
Era um tudo em forma de vazio,
mas tinha método e destino,
tudo ritmado na presença do inútil
e frases gritadas em redemoinho.
Porém, perdida toda sua essência,
se esvaziava em pequenas gotas de orvalho,
brilhante pedra rara e preciosa,
ansiando por uma ponte ou um atalho.
Caminhei pelas margens deste rio opaco,
tentando aquietar meu coração.
Não tenho paz nem destaco a diferença
entre água e terra; porém, este caminho
é carregado de emoção.
O vento cortante da noite despenteia
meus cabelos. Tento encontrar palavras
que me levem onde errei; tantas palavras
sem cores ou formas, mas palavras desesperadas.
Não percebo vida neste vazio contínuo.
O olho da lua parece ver minha dor, meu desespero.
Perdido, carrego para o final o meu destino,
morto em vida, sem sequer ter meu enterro.
Alexandre Montalvan
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