Poemas -> Desilusão : 

Saudade não é culpa

 
Saudade não é culpa, nem sombra a esconder,
É chama acesa na memória que insiste em arder,
Um sopro antigo que retorna sem pedir licença,
Um nome dito em silêncio, cheio de presença,
Um pedaço do que fomos que se recusa a morrer.

Há quem tema esse sentir tão profundo e aberto,
Como se amar demais fosse um caminho incerto,
Mas é na saudade que o afeto se revela inteiro,
Feito rio que, mesmo longe, lembra o primeiro leito,
E segue correndo dentro, mesmo quando está deserto.

Privilegiado é quem carrega esse doce peso,
Quem guarda no peito um passado ainda aceso,
Pois só sente saudade quem viveu de verdade,
Quem deixou que o outro habitasse sua eternidade,
E fez do instante breve um infinito indefeso.

A ausência não é nada, é presença transformada,
É voz que não se escuta, mas nunca foi calada,
É o toque que persiste mesmo após o adeus,
É o rastro invisível que liga dois eus,
Uma distância cheia de alma entrelaçada.

Que venha a saudade, sem medo ou vergonha,
Ela não fere em vão, nem a dor é tristonha,
É prova viva de um encontro que valeu existir,
É amor que aprendeu, mesmo longe, a florir,
É que, em silêncio, ainda ilumina e acompanha.

Poema: Odair José, Poeta Cacerense

www.odairpoetacacerense.blogspot.com

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@poetacacerense
 
Autor
Odairjsilva
 
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