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A menina que era sereia

 
Tags:  fantasia    romance  
 
A menina que era sereia
 
Em uma noite perto do Natal, batem à porta de Miguel. Ele abre, olha para os lados e nada vê. Um choro de bebê o faz olhar para baixo, e percebe um cestinho no chão.

No cesto, uma linda carinha rosada...
Miguel entra, coloca o cestinho sobre a mesa e chama Dora, sua esposa:

_ Dora, venha ver o que tenho aqui!

A mulher vem afobada. Depara com aquele bebê e se encanta. Diz então ao marido:

_ Mas,como aconteceu isso?

_ Alguém nos deu um lindo presente de Natal, mulher!

Dora pegou o bebê no colo, deu um beijo na testinha e disse:

_ Vamos ver se é menino ou menina. Hum! É uma bela garotinha!

Pensaram em vários nomes para a menina, mas decidiram por Ana Luzia. Afinal ela trouxe luz àquele lar, que tanto ansiava por uma criança... Dora tentava há dez anos ter um bebê. Agora seu sonho se realizava!

A menina crescia cada dia mais linda e feliz. Apenas uma coisa lhe preocupava: Queria muito crescer logo, para conhecer o mar. Era apaixonada pelo oceano, mesmo sem nunca ter visto antes, apenas pela TV e revistas. O tempo passou...

Ana Luzia tornou-se uma bela jovem de vinte anos. Era professora do vilarejo, próximo ao sítio de seus pais. Todos a tratavam por Aninha, gostavam muito dela, em particular pela sua bela voz. Cantava nas festas e rodeios da região.

Certo dia, estava fazendo muito calor, quando um forasteiro apareceu à frente da porteira do sítio. Pediu que lhe dessem um pouco de água, pois a que trazia em sua mochila, havia acabado. Miguel, da varanda gritou que entrasse.

O rapaz caminhou até a varanda onde estavam Miguel, Dora e Aninha. Seu olhar foi direto para os olhos de Ana Luzia. Dora percebeu. Convidou o moço para se sentar.

Miguel disse à Aninha, que trouxesse suco de caju, para todos. A moça foi buscar enquanto o rapaz se apresentava:

_ Meu nome é Moisés. Obrigado pela acolhida!

Miguel simpatizou muito com o rapaz, e Dora fazia um “interrogatório”, que o moço não se incomodava em responder. Ana chegou com o suco,serviu à todos e sentou-se para conversar também.

Moisés e Aninha, se entreolhavam todo o tempo. Foi ficando tarde e Miguel convidou o rapaz para pernoitar ali. Ele aceitou. No dia seguinte, depois do café da manhã, pediu permissão à Miguel para levar Aninha em um passeio de cavalo, até o rio que ficava próximo dali. O pai de Ana Luzia consentiu.

Os dois foram contentes, conversando muito. Moisés contou toda sua vida para Aninha. Mas, o que impressionou Aninha, foi quando ele disse que nasceu e cresceu no litoral, em um balneário chamado “Porta do Sol”. Ana Luzia contou seu desejo desde menina, em conhecer o mar. Nunca havia saído daquelas terras, daquele vilarejo. Conhecer o mar, seria um sonho!

Moisés encostou a sua cabeça, em seu ombro. Perguntou se ela estava sentindo o mesmo que ele, naquele momento. Ela disse que nunca havia ficado tão próximo de alguém assim. E que estava gostando muito de ficar com ele. Moisés deu-lhe um beijo apaixonado. Ela sentiu seu coração pular! Era a primeira vez que alguém a beijava. Moisés confessou que estava gostando dela, desde o primeiro momento que a vira.

Aninha disse o mesmo, e novo beijo trocaram...

Moisés, de um instante para o outro, pediu-lhe em casamento. Aninha disse que era prematuro. Seus pais não entenderiam, afinal ele era um forasteiro que acabava de conhecer. Moisés disse para Ana, que o amor é assim mesmo: Chega de um minuto para o outro. Decidiram falar com os pais da moça. Subiram nos cavalos, e lá se foram de volta ao sítio. Ana Luzia, desceu afobada e correu para a varanda, junto com Moisés, de mãos dadas. Disseram para os pais dela, que queriam se casar o mais breve possível.

Os pais da moça, ficaram surpresos! Mas o casal argumentou muito bem e convenceram os pais de Ana, do casamento.

O matrimônio foi realizado na capelinha do vilarejo. Pouco depois Ana despediu-se de seus pais e agradeceu tudo que fizeram por ela, todos esses anos. Foi uma choradeira geral!

Aninha e Moisés partiram para sua lua-de-mel. Depois, foram morar onde Moisés morava, perto de seu trabalho. Passaram-se muitos meses e Ana Luzia não esquecia o desejo de conhecer o mar. Pediu ao marido que a levasse onde ele havia nascido, no litoral. Como estava de férias, Moisés atendeu prontamente ao pedido de sua amada esposa. Ao chegar na praia, Aninha corria na areia de um lado para outro, como verdadeira criança. Depois olhou o mar, a vastidão do oceano e ficou hipnotizada com tanta beleza! O mar a chamava... Ela seguia entrando no mar, e como em um passe de mágica, suas pernas deram lugar a um lindo rabo de peixe! Ana mergulhou e agora seu destino se concretizava... Era uma sereia!

Moisés assistia tudo de longe, e triste percebeu que perdera sua esposa para o mar...

Mas, o amor tudo vence, até as proezas do destino... Assim, nas noites de lua cheia, Ana Luzia saí do mar, vai para areia e recebe de novo suas pernas, podendo por poucos momentos , ter seu amado de volta, e realizar esse amor que tanto os uniu...

Fátima Abreu
O conto tem um apelo ao amor que vence as barreiras, mesmo com um toque de fantasia...
 
Autor
FátimaAbreu
 
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Enviado por Tópico
visitante
Publicado: 24/07/2008 23:34  Atualizado: 24/07/2008 23:34
 Re: A menina que era sereia
Oi Fatima! li e adorei! sou fascinada por esse tipo de histórinha, contoetc... desconfio q não tive infância! rsss ah!! li os três, adorei todos! bjs no core!