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Manuel Bandeira : A morte absoluta
em 09/04/2012 23:44:22 (2435 leituras)
Manuel Bandeira

Morrer.
Morrer de corpo e de alma.
Completamente.


Morrer sem deixar o triste despojo da carne,
A exangue máscara de cera,
Cercada de flores,
Que apodrecerão - felizes! - num dia,
Banhada de lágrimas
Nascidas menos da saudade do que do espanto da morte.


Morrer sem deixar porventura uma alma errante...
A caminho do céu?
Mas que céu pode satisfazer teu sonho de céu?


Morrer sem deixar um sulco, um risco, uma sombra,
A lembrança de uma sombra
Em nenhum coração, em nenhum pensamento,
Em nenhuma epiderme.


Morrer tão completamente
Que um dia ao lerem o teu nome num papel
Perguntem: "Quem foi?..."


Morrer mais completamente ainda,
- Sem deixar sequer esse nome.


FONTE: JORNAL DE POESIA


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Enviado por Tópico
s.i.s
Publicado: 03/12/2015 17:29  Atualizado: 03/12/2015 17:29
Muito Participativo
Usuário desde: 01/12/2015
Localidade: São Paulo
Mensagens: 85
 Re: A morte absoluta
Deveria ser assim pois no mais, que interesse tem?

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