Poemas, frases e mensagens de Rui Santos Garcia

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de Rui Santos Garcia

Nascido em Santa Vitória do Palmar. Atualmente resido em Rio Grande, cidade Noiva do Mar, Casado com Dnª. Carme Vera,pai de 07 filhos. Hobby : Trabalhar com entalhe em madeira, escrever, ler e fazer novos amigos. Aberto a críticas e sugestões.

DE LONGE

 
Ouvindo o velho mar gemer além
Banhando com seu pranto a penedia
Choro o tempo passado, dia a dia
Nesta tristeza que de longe vem.

Olho e não vejo nestas praias quem
Minhas mágoas de amor sentir podia !
Meu coração vazio de alegria
Chora e soluça, como o mar também.

Gaivotas alvas, semelhando velas
Pardas, ligeiras, demandando o pôrto
Voltai as asas, sobre o mar, tão belas.

Pousai na terra de onde vivo ausente
Levai, gaivotas, para meu conforto
Esta saudade que o meu peito sente.
 
DE LONGE

PAULA BEATRIZ (Mulheres em Minha Vida)

 
Bela como a fonte cristalina.
Rodeada por azuis violetas,
perdidas em jardim primaveril.

Criatura de sonhos enamorados,
que a saudade rodeia em formosura.
Sobre o corpo sem fim de tua paixão.

Jovem de beleza interior.
Amiga das flores e canções.
Amada és pelos que te são queridos.

Rui Garcia
 
PAULA  BEATRIZ (Mulheres em Minha Vida)

ANJO

 
Eu quisera beijar, anjo formoso
Esses lábios de esplêndida frescura,
E qual num sonho brando e venturoso
Cingir-te, louco, a escultural cintura.

No teu colo macio e perfumoso,
Ao som da tua voz maviosa e pura
Quisera um sono calmo e delicioso,
Dormir, sonhar uma ideal ventura.

Entre carícias de um prazer imenso
Eu quisera sentir o ardor intenso
Das tuas faces púrpuras de pejo.

Depois, no teu cabelo aveludado
Quisera em cada fio delicado
Depor ansioso um terno beijo.
 
ANJO

POEMA PARA MIM

 
É fogo o signo do poeta
A alma repartida, mansamente.
Vento, jardim, desterro,pensamento.
Que ilusão de perfil, pedra esverdeada.
De coração aberto, de muralhas.
Luz de sonhos, pedra de esmeralda.
Abaixo uma errante música de espumas.

Feliz nostalgia, muro embelezado.
Se escuta, escuta incansável, generoso
O verso, como nuvem, como terra.
E vou eu, ganhando, conhecendo
Seu berço de nostalgia, sem segredos.
De cantar a vida com sabedoria,
Com indizível paz, com doce harmonia.

Belíssima canção aos ouvidos leigos.
Como a rosa, o cravo, que pureza.
Como a rosa, morta, entristecida.
Como o cravo, imagem de fé silenciosa.
E eu sou canto, sou o fim, sou o poema.
Belíssima razão, ou triste desvaneio !
Avanço em meu delírio, e em teu assombro.

Que límpido sentimento, obriga o coração
Conviver com ninfas, violetas,com rumores.
Que quietude inquietante, em meu horizonte,
Cheio de sonhos e de esperanças.
Que estação para ser ramo seco,
Cor purpura, não lamento, é a vida,
Como fresca brisa de outono, a soprar.

Digo eu, somente eu, e minhas fronteiras,
Dando um clarão de lua a distancia.
Digo sou azul, sou tempo, sou silêncio,
E digo também, amor, coração, irmão.
Ao pronunciar meu signo de poeta,
Dizer meu nome seria um sacrilégio.

A todos os poetas e poetizas do Luso.
 
POEMA PARA MIM

A NOSSA SENHORA DOS CANSADOS

 
Mãe eu venho do grande barulho,
Trago o cansaço em tôdas as partes do corpo
Mas sobretudo na alma ...
É tão difícil aceitar, sorrindo, tudo o que acontece em torno da gente
Durante um dia de trabalho e luta
As coisas, nas quais colocamos nossa felicidade, deixam-nos decepcionados.

As pessoas a quem queremos dar bondade nos rejeitam
Aqueles a quem pedimos bondade, querem tirar proveito.
Por isso, enho junto a Ti, ó MÃE,
Porque dentro de mim sinto a criança medrosa.
Mas sinto também a criança confiante.
A idéia de que tenho uma MÃE, como TU, dá-me coragem
Sinto-me como que apoiado em TEU braçoi e guiado por TUA mão
E só assim posso recomeçar de novo.
Renova-me, pois, para que consiga ver o belo da vida.
Reergue-me para que possa caminhar sem medo
Dá-me TUA mão para que reencontre sempre o caminho.

Dá-me TUA benção para que minha presença seja, no meio dos homens,
Sinal de TUA benção.
 
A NOSSA SENHORA DOS CANSADOS

Sétima Palavra

 
Tua sétima palavra,
Não foi palavra para o homem.

Entregastes o Espírito ao PAI
Quando ainda tinhas o corpo,
Êsse corpo que era de homem
Mais humilde e mais ferido,
E cuja sombra fatigada repousa
Em todas as pedras da Judéia.

Sim, destes tudo, porém a medida
Ainda não está completa,
É necessário que voltes e olhes
Dêsde esta praça de suburbio,
A vitrine nossa
E as coisas que nos chamam,
E então se o quizeres
Pregarei Teu Nome
Por templos, mercados, cinemas.
E verás como há um chefe de sinagoga
Que me pagará sessenta dentarios por teu corpo.

E então talvez eu seja o dado
Que rife de novo tuas únicas vestes.

E TU novamente dirás :
"Pai, em Tuas mãos entrego o Meu Espírito."
 
Sétima Palavra

Por Ti Mulher

 
Por ti mulher, querida.
Porque um dia me amaste e desde então,
Sou este homem, esse traje e sua palavra,
Sou este levantar-se nas manhãs,
A tomar posição de ontem. de hoje dia,
da camisa igual, das notícias.
Por ti mulher, levo este modo de ser triste;
E padeço na alma o campanário,
de uma profunda catedral de pranto.
Amo por ti as tardes, as estátuas,
Os caminhos sem flores e seus muros,
As casas pobres com cheiro a sábado.
Por ti mulher, sou como eu não te queria,
Ferido sem razão, e para sempre,
Ferido pelas ruas, as semanas,
Pelas coisas sem nome, por mim mesmo,
Derrotado de amor e derrotado
De perguntas em vão e em desordem,
Por tuas leves tranças, por teu peito
Onde um alegre e doce rouxinol,
Insistente e azul como um suspiro
Cantava sobre a blusa inutilmente.
Por ti mulher, levo um amuleto inexplicável,
Que me faz amar, todos os inválidos.
Por tuas carinhosas cartas que transitam
Vencidas no fundo do armário.
Pelo retrato sem idade que levo,
Amassado de tanto andar no bolso
E amassado pelo tempo e pela recordação.
 
Por Ti Mulher

NOITE

 
Noite escura, de seio enigmático.
Noite de caminheiros perseguidos pela tempestade.
Noite desvestida nas ondas dos naufrágios.
Grande noite de meus olhos, de meus ossos, noite minha,
Que arrebatas de minha alma este sinal de cânticos
Noite por obra do amor, noite rosa enlouquecida.
Noite de perfumes delirantes, de vapores feridos.
Noite junto ao sangue que embarga o pensamento.
Noite de sêde, de embriaguez,noite total desolada.
Noite que me conduz aos elementos,
Com imagens de fogo, de ar, de água, de poesia.
Noite de cabelos enternecidos pela fatiga.
Noite de espumas, de quimeras, de fosforescências.
Noite por tua boca que acalma minha paixão.
Noite por teu peito de jasmim e de brancura.
Noite por tuas pestanas como ervas desafiantes.
Noite por teu floral secreto, confundido com o extase.
Noite por tua palavra de carinho e de silêncio.
Noite pela noite mesma, detida em minha fé.
Noite porque te quero com ternura e com carinho.
Noite por tua pele de lírios e de açucenas.
Noite só minha, só tua, só nossa.
Noite de plantas aromáticas próprias da noite.
Noite substâncias de mitos, de beijos, de amantes.
Noite que corre a incendiar-se contra a eternidade
Noite de um só SER que DEUS criou.
Noite que será NOITE, até enquanto eu viver.
 
NOITE

O Cão

 
O cão vai e senta em uma esquina.
Passam alguns homens que acaso não fazem caso,
que acaso não o olham, que lhe dão pontapés,
que lhe descarregam seu ódio e seu desprêzo.

O cão nada diz
corre. Lambe um pouco de terra da ferida,
remexe nos escombros, sua parte de miséria.
Vai e senta outra vez, vai e se levanta.

O cão sabe que em um mundo pequeno,
não há sorriso, não há fonte.
Só o mundo pequeno, pequeno e mesquinho.
Só uma pequena e mesquinha palavra.

O cão já não late para a fêmea como antes,
já não brinca aos saltos,
já não salta e pula sob a tarde avermelhada.
Vai e se senta tão só.

O cão vai pelo caminho algumas vezes,
se cruza um carro, foge.
O carro e o homem, seus algozes.
Se cruza com a criançada, olha de longe
e embrenha-se correndo no bosque.

O cão vai até o riacho algumas tardes,
bebe um pouco de água, e se reflete em seu espelho
Entra na água e nada
que doce ternura, essa ternura, essa ternura,
que lhe põe nos olhos o azul do céu.

O cão vai e senta uma manhã
e já não se levanta mais. Ali fica
feito sombra de esquina, rua, menino.
Igual a maçã caída na relva,
jogado a própria sorte, a morte.

Essa mesma manhã se encontrará vazia.
E êsse raio de sol que entra pela porta.
Não o encontrará sentado na esquina.
Nem o achará dormindo a porta da igreja.
E não haverá mais o cão para descarregarem o ódio.
 
O Cão

Substância da Morte

 
Chega a esquecida
de ar taciturno, madrugadora,
por rota abandonada,
em um barco sem bússula, nem hora.
Ela a presunçosa,
pelo jasmim cheiroso e pela rosa.

Alma de marinheira.
Vôo de gaivota sobre o mar,
ela e a primavera,
com sua paisagem triste, com seu marasmo.
Viaja com o sentido,
chega com o rebanho e seu balido.

Chega com sua sina.
Náufragos de um oceano de tormentos,
barco sem rumo, sem destino,
rasga as vestes, fica desnuda,
corre atrás da fortuna,
com seus dentes de loba, a luz da lua.

De imperceptível passo
de algodão ou de nuvem,
a irmã deste ocaso
a desmedida angústia de meu desvelo,
pela trilha ignorada.
Com sua aureola de ouro, a desapiedada.

Neve sobre a colina.
Noite sobre a mão cativadora.
Ela sobre a rama
a sempre erguida, a abrasadora,
sombra da loucura,
corvo sedento da amargura.

Ela sobre minha angústia,
ela com a bandeira do meu destino.
Tênue violeta murcha ,
cálice que retiro de meu caminho.
Chega-se com a ausência,
e verte o veneno de sua inclemência.

Oh ! sua crueldade volátil,
nunca soube de pranto, nem despedida,
nem lágrima derramada
deteve a cortante profunda ferida.
Lembranças e saudades
impregnadas no íntimo das idades.

Corta a veia heroica,
e no fragor das batalhas
quebra serena a calma.
Ela libertadora das muralhas,
gira sobre os mares
entre naufrágios, entre mortais .
 
Substância da Morte

G R E Y C E Mulheres em Minha Vida)

 
Sol de crepúsculo radiante.
Raio delgado junto ao meio-dia.
E cinturão de luzes da meia-noite.

Quimera dos cânticos perdidos.
Asa da ternura consumida.
E luz de paz na opressão.

Cativante espaço, flor pequena.
Com fé e verdade, voo secreto.
Pequeno território da razão.

Rui Garcia
 
 G R E Y C E Mulheres em Minha Vida)

CIÚMES

 
Um dia envenenado de ciúmes
Pela que sempre amei,
Pedi-lhe minhas cartas, meu retrato
E tudo quanto lhe dei !

A virgem magoada, a face em pranto,
Suave me respondeu :
Deu-me um dia também um beijo, tome-o
Não quero nada seu.
 
CIÚMES

A um amigo morto

 
Já és um pouco de cipreste, e tens
um estranho vibrar cada manhã;
Não é para ti que toca o sino,
se gorgeia a vida que não sustentas.

Já és seiva de rosas...O teu destino,
amigo das rosas, se desfolha
e êsse pouco de sol e essa ligeira
doçura com que agora te apresentas.

Amigo dos álamos, amigo
do rouxinol, da tarde e da quimera,
companheiro de outonos e verãos...

Voltar outra vez a caminhar comigo,
que é impossível, agora, na primavera,
teu amanhecer é de silêncio e escuridões.
 
A um amigo morto

À Vó Isaura (Mulheres em minha vida)

 
Por todas as vertentes consumidas
de sol, de essência, de fluir, de magia.
Te reservei um lugar em meu coração.

Por todas as lendas que não posso
citar neste pequeno poema.
Tens um lugar em meu coração.

E por toda a doce transparência
que agora és, mito e ralidade ardente.
Te guardo querida vó, em meu coração.

Em memória.
 
À Vó Isaura (Mulheres em minha vida)

Autobiografia de um Homem

 
Porque me sustento sobre meus próprios pés ?
Assisto pontualmente a minha agônia.
Com um nome e um destino assinalado.
Apenas eu podia recordar
Os rostos semelhantes aos dos mortos
A quem nego conhecer
Porque estão sempre comigo.

Porém há alguém espiando-me
Através de uma fenda pequena quase inútil.
É um menino sem dimensão e nem ternura
A quem tive que matar antes de dar-lhe a vida.
Dêsde os ossos
Me grita amaldiçoando.
Dêsde o impassível ventre de sua mãe
Me grita amaldiçoando
Sempre me está gritando ...

Oh! Seus cabelos negros
E suas mãos como raizes quebradas.
Porém êle está me gritando,
Incansável,
E terno,
Àguas de um rio,
O campo, a rota, em meu sangue
E então
Tudo é inservível
Como uma mulher enferma;
E triste.
Como um guerreiro morto ao amanhecer.
Só ao longe
Contemplo um homem vivendo.
Tão longe que não há distância que possa ferí-lo.
Tão longe que minha voz se perde com o eco inexato
De uma fôlha enterrada.
E estou no anonimato
Como que saudade adormecida.
Diáriamente venho
como todos
A morrer nas oficinas
E a imaginar mulheres
Bonitas, rompendo-se em desejos.

E amo outra vez
E outra vez me canso.
Encontro um coração frio nas esquinas
E compreendo porque hoje em dia
A cidade
Tropeça com um cego.
 
Autobiografia de um Homem

O Tempo e o Vento

 
Estava sentado
Com os olhos perdidos no infinito,
Eu usava um casaco surrado, que se movia
Como as águas da lagoa.
O relógio corria.
Mas a mente ainda atôa
Vagava no horizonte.
O mundo gira
A árvore cresce
A gente padece
O relógio dispara
Já é outro dia
O sol se aclara
A lua aparece
A noite já desce.
Assim é o tempo, o tempo, o sol, a água e o vento.
Tudo vira, se mexe.
E o mundo que gira e a gente padece.
Parece mentira que aquela menina, que ontem,
De tranças no jardim a brincar
... Corria, corria de tranças, corria o tempo.
O tempo e o vento, às horas do dia ...
Marcaram no espaço, a saudade que vinha.
Morreu a menina, o cachorro, o açougueiro.
De que serve dinheiro ? Sem felicidade.
Me deu saudades, saudades que o tempo,
O tempo e o vento não conseguem apagar !
 
O Tempo e o Vento

O Amor e o Tempo

 
Pela montanha alcantilada
Todos quatro em alegre companhia,
O Amor, o Tempo, a minha amada
E eu, subíamos um dia.

De minha amada no gentil semblante
Já se viam indícios de cansaço,
O amor passava-nos adiante,
E, o tempo, como acelerava o passo.

_" Amor ! Amor, mais devagar !
Não corras tanto assim, que tão ligeira
Não pode com certeza caminhar
A minha doce amada companheira !"

Súbito o Amor e o Tempo combinados,
Abrem as asas trêmulas ao vento ...
_"Porque voais assim tão apressados ?
Onde vos dirigis ? " Nesse momento.

Volta-se o Amor e diz com azedume :
_"Tende paciência, amigos meus !
Eu sempre tive este costume
De fugir com o Tempo ... Adeus ! Adeus ! ..."
 
O Amor e o Tempo

Aonde o Amor Terminava

 
Aonde o amor terminava, eu nascia
E o mundo era mais mundo, diferente
E como sempre, o amanhã. Caladamente
Uma fonte de sonhos florescia.

Em mim, por mim. Corria o vento frio
Em meus olhos mais límpidos. Frente a frente,
Minha sombra e eu, maravilhosamente
Sós, sem sêde, sem nada, sem vazio.

Palavra que para chegar a fama
Sem céu que pintar de azul, sem mão
Que levar, amadora, a cintura.

Sem fogo que avivar, sem outra chama
Que, a que, a alma rubra do verão
Incendeia serena em minha ventura.
 
Aonde o Amor Terminava

CARME VERA

 
I
Alguém poderia contestar o amor ?
Se perguntaram por um claro dia;
alguém poderia desde tua melancolia
ver os azuis deste céu, cheio de cor.

Carme, de minha voz desconfio
quando escuto tua límpida harmonia.
Carme em ti, por ti, com minha alegria.
E minha tristeza se vai em largo rio.

Tu, e eu Carme, apaixonados pelo mundo,
basta achar a puríssima certeza
de que o amor é um e verdadeiro.

Carme em ti, com teu laurel fecundo,
ao pé de tua ligeira gentileza,
em ti, por ti, contigo, sou parceiro.

II

Carme, pela essência de minha vida
do amor mesmo em pensamento.
Carme és forte, litoral violento.
Carme em mim, amada e concedida.

Carme, vida e sonho sem saida
e em presença levada pelo vento
ausência corporal que não lamento
por escutar a ausente presentida.

Estás de pé sobre a areia branca
do sonho que te tem e te circunda
só és amor todo momento.

Carme da saudades morimbunda
és guardiã de minha vida
e azul navio de meu pensamento.

(à minha amada espôsa)
 
CARME VERA

Êxtase

 
Agora que deuses tristes apagam a chama
de minha lâmpada oculta no túnel da distância.
Chamas-me com um nome de paz ao encontro.
E aprisionas meu cálice entre tuas mãos mansas.

Uma outra fragância, a de cravos triturados
te mostrará o silêncio de minha rota esquecida.
Terás o signo claro da recordação,
no reflexo abandonado de uma estrela na água.

Matiz de verdes limos, colorindo as pedras,
encontrarás em todos os caminhos da ourora,
que quer ser pétala, em penumbra, em fragância.

E no pórtico imóvel das torres despertas
recolhes, tu, meus sonhos maltratados
entre lágrimas e risos, mas suave como a lua nova.
 
Êxtase

Rui Garcia