Poemas, frases e mensagens de Antónia Ruivo

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de Antónia Ruivo

«« Morta sem estar morta ««

 
 
Morta sem estar morta
Vulto negro, pouco importa
Pedaço de carne que sobra
Na travessa de quem come

Roubaram-me até o nome
Numa fome que consome
Que me consome em vida
Por ser uma raiz estendida
Daquelas que não se dobra
Que incomoda

Morta na ignorância
Morta na arrogância
Tantas vezes na inconstância
Outras tantas na ganância
Morta no desapego
Que se tem no desassossego
Do que pesa no coração
Do que foge da nossa mão

Ao perder utilidade
O vaso usado se quebra
Não nos satisfaz mais a vaidade
Deixou de ser à nossa vontade
Não mais se enche de terra

Mataram-me com desamor
Viraram os olhos à dor
De quem busca a sua sorte
Como quem caminha prá morte
Levada no vento norte

Sempre igual
Igual no ideal
Na afeição
Dos que trago no coração
Mesmo quando digo não
Mesmo quando finjo não ver

O vento
Não se pode prender
Muito menos a agua a correr
Numa ribeira bravia
Igual,
Ninguém me domina
Talvez seja sorte ou sina
Mas sou eu e sou assim.

Morta…
Mas continuo aqui
Na espera
Que se lembrem de mim
No dia em que por fim morri

Antónia Ruivo
 
«« Morta sem estar morta ««

«« Quero ««

 
«« Quero ««
 
Sim quero…
Quero amar-te ao luar, no meio de estrelas a bailar
Pode ser num leve toque, um roçar de pele, um tocar de alma
Que me traga a certeza, que as fábulas de encantar existem
Que as vontades subsistem
Envoltas em cetim suave, de um branco cristalino
Que me traga as certezas nas cordas de um violino
E me diga, podes rir podes chorar, sonhar, até amar
Ao cair das primeiras chuvas de Março
Eu e tu enlaçados
Embrenhados no cheiro a terra molhada, terra fértil, abençoada
Quero amar-te lá longe onde nos levar aquela estrada
Aquela por onde caminham os desejos, simples e puros
Suaves como os realejos, que levam a musica de terra em terra
Estranha quimera essa, que carrego no coração
De que um dia, um só dia, nessa imensidão
Sentirei o toque da tua mão, o bater do teu coração
Mergulharei de cabeça, nesse mar de sabores
Algo doces semitrincados, os beijos dos namorados
Tu e eu caminharemos enlaçados
Quem sabe, mesmo à beira de uma ravina, não importa
Somos loucos, estamos apaixonados, corremos o risco
Mas vivemos esse exacto momento, como se fosse o primeiro
De uma existência, onde a vida termina a seguir
Penso em ti
Vejo-te a rir, desta minha ilusão desmedida
De que um dia, a tua, a minha vida se juntem numa só guarida.

Antónia Ruivo
 
«« Quero ««

««Salpicos de luz««

 
««Salpicos de luz««
 
Ardo em lume que me consome
Tão funesta é a solidão, quem diria
Minha alma grita morrendo de fome
Desfalece em rimas de poesia

Rompe na alvorada, no nascer do dia
Em versos que gritam meu amor sonhado
O vento carrega minha fantasia
De um dia acordar contigo a meu lado

Calo palavras sem jeito de amargura
Para não acordar as pedras da rua
Digam estou louca, não temo censura

Num poema cantante um dia serei tua
Escreverei na terra um hino à ternura
Em salpicos de luz dançaremos na lua

Antónia Ruivo
 
««Salpicos de luz««

««No tempo que me resta««

 
««No tempo que me resta««
 
Busco por entre o silêncio
Do tempo que me resta
Busco uma sombra , fina aresta
Tal flecha envenenada
Que acerta no meu coração
E me transforma em nada

Busco na noite fria
Eterna solidão, parca ilusão
E ouço! Mera imaginação…
A tua voz dizer com paixão
Palavras de amor
Que me falam ao coração

No silêncio dos anos vindouros
Buscarei por sons de besouros
Sozinha estarei, imaginarei

No silêncio de um quadro pintado
Em noites tão longas, caminhos trocados
Pintarei um leve ondulado, desmaiado
Do teu calor dormindo ao meu lado

Resta-me falar com o silêncio calado
Deste quadro pintado
Desejado, jamais alcançado

Antónia Ruivo

Imagem tirada do Google
 
««No tempo que me resta««

««Lançamento dos livros do Octávio da cunha e do António MR Martins ««

 
««Lançamento dos livros do Octávio da cunha e do António MR Martins ««
 
Acabei de chegar a casa do lançamento dos livros do Octávio da Cunha e do António MR Martins, e já aqui estou plantada mas tinha que dizer isto e tinha que ser agora, existem coisas que, ou se dizem na hora ou perdem o sentido, adorei, um evento cheio de gente bonita e simpática, o Octávio pareceu-me uma excelente pessoa porque como Poeta o seu valor é indiscutível, quanto ao António é como sempre o imaginei, uma pessoa simpátiquíssima, de trato agradável , nota-se a simplicidade e a grandeza que a sua escrita encerra, adorei a sua esposa uma Sra. Encantadora, o filho não tive oportunidade de falar com ele mas achei-o um rapagão, depois conheci a Mim um doce tal qual os bombons que costumava distribuir pelo Luso, o marido também muito simpático, A Vera Silva um amor a transbordar simpatia , a Cleo uma bonequinha linda, agora percebo aquela cara toda pintada que conhecemos, a Nanda de Setúbal outro doce de pessoa mas muito mais bonita do que a foto mostra ( Nanda tens que trocar de foto), o José Manuel Brazão um cavalheiro não restam duvidas , um boca dito atrevido segundo me segredaram ao ouvido mas nada de importância, Até porque hoje era bebé estava à partida desculpado, resumindo, uma festa muito bonita e saudável onde reinaram a camaradagem e o entusiasmo, Havia mais poetas do Luso dos quais não me recordo os nomes aqui ficam as minhas desculpas e prometo que para a próxima vou fixar os nomes de todos, resta-me desejar aos Autores muitas felicidades e que este dia tenha sido o primeiro de muitos porque sem dúvida merecem. A poesia hoje mostrou que está viva e de boa saúde, bem haja á Temas Originais que acabou de nascer e assim abriu as portas ao sonho de dois grandes poetas, neste dia todos estiveram de parabéns mas nós os que vamos poder deliciarmos-nos com as obras agora publicadas levamos vantagem, obrigado.

Antónia Ruivo
 
««Lançamento dos livros do Octávio da cunha e do António MR Martins ««

««Amor é««

 
««Amor é««
 
Amor não é passageiro
Agora chega e logo acaba
Não é vendaval em mês de Janeiro
Não se joga fora porque já farta
Não olha a cor, nem a dinheiro
Não vira as costas, porque a vida é chata
Amor é caminhar de mãos dadas
Olhar de frente quem está ao seu lado
Dizer palavras ponderadas
Mesmo que o outro esteja errado
Precisa que ás vezes lhe sequem as lágrimas
Gosta de sorrir e ser abraçado
Amor não é caso pensado
Aparece sem pedir licença
Não gosta de ser enjaulado
Não é sentença, muito menos crença
Não se fecha à chave porque está amuado
Amor é constante presença
Numa vida faz toda a diferença
Aos olhos de quem ama
É centelha de vida, não é doença
Amor não começa e acaba na cama
Continua amando na indiferença

Porquê apagar a chama
Se o amor te bateu à porta
O coração nunca se engana
Mesmo que a vida te pareça torta
Ao alcance da mão, está quem te ama

Antónia Ruivo
 
««Amor é««

«« Décimas... Lembrando que a terra chora ««

 
 
Mote

Ao rubro de papoilas vermelhas
Por esses campos afora
Parecem enxames de abelhas
Lembrando que a terra chora

Vazam-me os olhos de águas
O campo está moribundo
Ai Alentejo profundo
Restolho raso de magoas
Triste vão as nossas vidas
Restam as terras cansadas
Tristemente abandonadas
Viraste quarteira de gado
Soberanamente engalanado
Ao rubro de papoilas vermelhas

Alentejo minha amora
Pedaço de terra encantada
Tola mente esvaziada
Retalhos de alma que chora
Que te beija hora a hora
Mais aqui mais acolá
Tudo está ao Deus dará
Tanto pedra tanta moita
Tanta gente que te açoita
Por esses campos afora

Longe vão tuas conquistas
A era da fraternidade
A terra da igualdade
Será que te restaram algumas
Dessas crenças encantadas
Dessas utopias luzentes
Tua gente está descrente
O teu povo está dorido
Desacreditou no fado corrido
Parecem enxames de abelhas

Viram costas vão embora
Procurar a melhor sorte
Voltam depois com a morte
Descasam na terra que implora
Pelo calor do seu corpo, agora
Nada resta está morto
Alentejano filho devoto
Guardador de gado ao relento
Resta-me soltar versos no vento
Lembrando que a terra chora

Antónia Ruivo
 
«« Décimas... Lembrando que a terra chora ««

««Abaixo o preservativo?????««

 
««Abaixo o preservativo?????««
 
Abaixo o preservativo?????
Acabei de ler uma noticia que me deixou no mínimo perplexa e esta minha perplexidade não se deve ás afirmações porque essas já se adivinhavam mas sim ao tempo que o Papa Bento XVI levou a dizer explicitamente que é contra o uso do preservativo e a ocasião que ele escolheu para proferir tais afirmações, nada mais nada menos que a sua visita aos Camarões onde 7% da população adulta está infectada com o vírus VIH, e esse numero não se altera desde 2001 onde a percentagem era de 12%.
E o mais curioso é que a comunidade cientifica chegou à conclusão que o VIH se desenvolveu na comunidade de chimpanzés dos Camarões, quererá sua Santidade fazer-nos crer que se a espécie humana deixar de ter contacto com o referido animal o vírus desaparece por obra e graça do Espírito Santo, ou será que com a sua visita acontecerá o milagre de toda uma população virar abstinente e ai sim o vírus é erradicado, até quando a igreja católica nas pessoas dos seus dirigentes máximos levaram a hipocrisia de declarações como estas avante, até quando o distorcer da realidade que cada vez mais afasta as pessoas da igreja católica. Porque será que uma igreja que se diz portadora dos ensinamentos de Cristo não pratica um dos seus mandamentos que diz, ( Não matarás) a meu ver está renitência em aceitar o uso do preservativo como o único meio eficaz contra o flagelo da sida nada mais é do que matar lentamente o maior bem da humanidade, a própria vida, quantos mais precisam morrer, quantas crianças precisam de nascer infectadas, quantos católicos precisam se afastar da igreja, para que sua Santidade Acorde e veja que os tempos são outros que as mentalidades sofreram uma grande alteração nestes 2009 anos depois de Cristo.
Até quando?
Antónia Ruivo
 
««Abaixo o preservativo?????««

«« Maio ««

 
«« Maio ««
 
Maio sofrido Maio
Perdido nas gerações
Cantaram-te como o gaio
Entre lutas e revoluções

Mar de multidões
Ideais soltos sem tempo
Tentas soltar os grilhões
Desde o norte ao barlavento

Maio do meu contentamento
Perdi a vontade em cantar
As lutas em movimento
Perdi, perdi a vontade em sonhar

Antónia Ruivo
 
«« Maio ««

««Amizade««

 
««Amizade««
 
A amizade verdadeira
Não tem peso nem medida
Nasce para a vida inteira
Só precisa ser polida

Quando aparece na nossa vida
Entra de forma brejeira
Só precisa ser sentida
De uma ou de outra maneira

A amizade verdadeira
Nunca pede para entrar
Aparece à nossa beira
E acaba por ficar

Acaba por ficar
Umas vezes silenciosa
Outras vezes a gritar
Mas sempre de forma airosa

Deixa um cheiro a rosas
Ou será a flores do campo
É tão bonita e vistosa
Quando nos cobre com o seu manto

Nunca a deixes num canto
Numa gaveta sombria
Ela gosta de ser beijada
E de ver a luz do dia

Amizade eu sabia
Que vieste para ficar
Fazes parte do meu dia
Nem precisas de falar…

Antónia Ruivo

Imagem tirada do Google
 
««Amizade««

«« Poetas ««

 
«« Poetas ««
 
Queres ensinar ao mundo o que é a poesia
Ensurdecedor o teu eco absurdo
Os mudos falam por gestos
Aos cegos deu Deus o tacto
Os poetas nasceram com aura.

Antónia Ruivo
 
«« Poetas ««

«« Pequem estão à espera de quê««

 
«« Pequem estão à espera de quê««
 
Pequei , pequei porque amei
Como quem ama o sol ao nascer
Pequei por excesso de bem querer
Por iludir-me no dia em que julguei
Que tinha o direito de pecar
Ou somente o direito de sonhar
Acho que me estou a baralhar

Pequei por tentar encontrar
Uma vida um caminhar
Lado a lado sem amarras
Triste tola
Pensavas que alcançavas
Assim tudo de mão beijada
Que era simples
Estrelavas os dedos
Assim sem mais enredos
Aí… estavas tu...adorada

Claro… imaginei-me apaixonada
E depois
Ternamente beijada
Tem coisa mais engraçada

Quem nunca pecou
Perdeu a esperança
Instalou-se a desconfiança
Ignorou
Que nestas coisa do amor
Quem não arrisca não petisca
Portanto pequem
Estão à espera de quê
De olhar para trás
Verem que envelheceram
Sem ser capaz
De dar o salto
Ou cair do salto
Tanto faz
Interessa é encontrar o rapaz

O tal
Aquele que aquece a alma
Que nos faz fazer figuras tolas
Daquelas que põe os cabelos de pé
De qualquer crente de fé
Pois é

Agora falando sério
Pequei
Porque acreditei
Que tu
Eras um pecador
Mas não
Eras somente
Um sonhador
E eu
Vi-me de repente
Dentro de um grande tambor
Ai que dor
O pior
É dor de amor

Apetece-me gritar
Sr. Doutorrrrrrrr
Ai que horror
Acaba alguém
Por falar

Coitado nunca pecou
Por isso
O dedo apontou

Antónia Ruivo
 
«« Pequem estão à espera de quê««

««Olha a saudade««

 
««Olha a saudade««
 
 
Já olhas-te de frente a saudade
Aquela que machuca a existência dia a dia
Nos fere com flechas de fel e nostalgia
Nos conduz por clareiras de ansiedade

Saudade de um amor da eternidade
Transcrito para o papel em poesia
Tentando acalmar a sede em água luzidia
Despindo a alma, vertendo cumplicidade

Já tentaste perguntar se é amor
A saudade que te traz rimas de dor
A que escreves em mil palavras de ilusão

Pergunta à saudade perdida no tempo
Buscando amor no campo ao relento
Porque foge de mim, me afasta de ti, qual razão

Antónia Ruivo
 
««Olha a saudade««

««porque será que te amo««

 
««porque será que te amo««
 
Porque será que te amo na de vastidão
Desfaleço em cada olhar teu, sei-o
O teu olhar encaminha-me em turbilhão
Pelos sentidos contidos em devaneio

Porque será que te busco na ilusão
De que em ti apago os meus anseios
Que renego no meu corpo a solidão
Enquanto do teu néctar saboreio

Por ti verto lágrimas de saudade
Numa fonte translúcida e gelada
Mato a sede num rio de ansiedade

Que em ti me mantém refém na madrugada
Quando teima em afastar a felicidade
Desta sorte maldita, feita de nada

Antónia Ruivo
 
««porque será que te amo««

««Tertúlia falando de saudade( 2ºsaudade nem sempre é espera««

 
 
Transpus a porta de um bar
Para falar à saudade
Recusou até me olhar
Renegando a verdade
Ai saudade, louca saudade
De um amor que nem chegou
Madeixas de infelicidade
Nos meus cabelos deixou
Socalcos de esperança morta
De saudade, meu rosto marcou

Finalmente, sorriu e cantou
Acompanhada á guitarra
Um fado que me emocionou

Vira as costas à desgraça
Caminha de braços abertos
Nem sempre a saudade é madrasta
De quem perdeu os afectos
Tem saudade que é tão casta
Que nem os mais fortes ventos
Separam do pensamento
Tal a virtude que encerra
Saudade nem sempre é espera
De um sonho, que dorme ao relento

Olhei a saudade valente
Virei costas a sorrir
Transpus a porta do bar… segui em frente

Antónia Ruivo
 
««Tertúlia falando de saudade(  2ºsaudade nem sempre é espera««

««Desajeitada««

 
««Desajeitada««
 
 
Peço desculpa por ser quem sou
Desajeitada na maneira de entrega
O coração nas mãos, se me dou é porque estou
Não tinjo o pensar de tinta que escorrega

Peço desculpa à dor por entende-la
Por penetrar no seu mais secreto sentir
Por a sondar, pensar, conseguir descreve-la
Por a amar como a um filho acabado de parir

Peço desculpa ao poeta, por ler nas entrelinhas
Alguns medos, anseios, risos, por vezes a mágoa
De uma escrita que sem querer embarco minha

Mas nunca, nunca me vestirei de mingua
Por ocultar o que o coração adivinha
Ao tropeçar na palavra, que alguém chama sua

Antónia Ruivo
 
««Desajeitada««

««Ao poeta / Alemtagus««

 
««Ao poeta / Alemtagus««
 
Descodifico em cada poema lido
A alma transparente de poeta Alentejano
Quantas vezes um pouco entristecido
Quem sabe é da terra, ou antes porque é humano

Descodifico por entre as palavras
A tórrida aridez dos campos sem trigo
Toda a frescura das manhãs orvalhadas
De poeta andante sem porto de abrigo

Montemor terra trigueira, mãe abençoada
Transformaste a alma do filho que geraste
Em estrela luzente pela madrugada

Em cada palavra que lhe ensinaste
O poeta grita uma escrita, ora doce, ora amargurada
Por entre pedras soltas, é como se o poeta te beijasse

Antónia Ruivo
 
««Ao poeta / Alemtagus««

«« O que dizes povo ««

 
 
O que dizes povo?
Porque choras…
Povo
Conta-me quero entender
Porque só agora
Começas a gemer

Porque parecem turvas
As tuas lutas
Dormiste…
Em…
Fogueira de acendalhas

Sabes povo…
Nesta hora, na distância
Marcada pelo tempo
Neste mês de Abril
Mês de águas mil
Mil lutas e labutas
Tempo
Em que se erguem
Novas disputas

Agora…
Medito neste país
Tresmalhado,
Em quimeras afogado
Passaste mau bocado
Depressa esqueceste
Depressa te absolveste
Dos deveres
Para contigo,
Para com o teu país

Em Democracia
Enquanto tu dormias
Alguém se abastecia
Daquilo que tu esquecias
Nesse deixa andar,
Safa-se quem safar
Alguém...
Ficará para contar

Agora povo
Começas a acordar
Choras, e lamentas
Levantas os braços
Em oração
Em aflição

Acordaste por fim
Ainda vais a tempo
Ai de mim
Pega
A Democracia de frente
Lembra-te
Do teu pai e avô valente
Que mesmo na tortura
Na fome e na guerra
Nunca deixaram de saber
Quem eram,
O que deles
Esperava esta terra…

Por isso povo
Levanta os braços
Besunta-te na terra
Abraça essa quimera

Antónia ruivo
 
«« O que dizes povo ««

««Mar dos sentidos««

 
Mar dos sentidos
Onde minha alma vagueia
Por entre gemidos
Sussurros contidos
Palavras que o vento semeia

Como quem colhe e a seguir presenteia
Assim é matéria, o nosso amor

Umas vezes surdo, outras perde o juízo
Umas outras teimoso, mas nunca vencido

Neste mar deslumbrante
Ergue-se tal força imensa
Que acalma e trás alento
Tal qual areias flutuantes
Perdidas num mar de tormentos

Eternos amantes
Do antes e do depois
Dois espíritos errantes
Envoltos em brancos lençóis
De tendas Mongóis

Vencidos, estafados, vibrantes
Há -de haver, um só instante
Meu amor,
Em que adormecemos os dois.

Antónia Ruivo

Flores - Graficos & Glitters Para Orkut
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««Mar dos sentidos««

««Adeus a uma Rosa ( Rosa Lobato de Faria ««

 
««Adeus a uma Rosa ( Rosa Lobato de Faria ««
 
Quem me quiser há-de saber as conchas
a cantiga dos búzios e do mar.
Quem me quiser há-de saber as ondas
e a verde tentação de naufragar.

Quem me quiser há-de saber as fontes,
a laranjeira em flor, a cor do feno,
a saudade lilás que há nos poentes,
o cheiro de maçãs que há no inverno.

Quem me quiser há-de saber a chuva
que põe colares de pérolas nos ombros
há-de saber os beijos e as uvas
há-de saber as asas e os pombos.

Quem me quiser há-de saber os medos
que passam nos abismos infinitos
a nudez clamorosa dos meus dedos
o salmo penitente dos meus gritos.

Quem me quiser há-de saber a espuma
em que sou turbilhão, subitamente
- Ou então não saber coisa nenhuma
e embalar-me ao peito, simplesmente.

Rosa Lobato de Faria ( 1932... 2010 )
 
««Adeus a uma Rosa ( Rosa Lobato de Faria ««

Era tão fácil a poesia evoluir, era deixa-la solta pelas valetas onde os cantoneiros a pudessem podar, sachar, dilacerar, sem que o poeta ficasse susceptibilizado.

Duas caras da mesma moeda:

Poetamaldito e seu apêndice ´´Zulmira´´
Julia_Soares u...