Poemas, frases e mensagens de APScheffer

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de APScheffer

“O poeta está mais próximo do mundo quando carrega em seu íntimo um caos.”

Canetti

A-pesares.

 
Apesar dos pesares,
Das correntes, dos mares
Eu ando mergulhando
Como nunca percebi

Apesar das dores,
Dos opostos e amores
Eu ainda sinto às flores
Que eu nunca recebi

Apesar das intrigas,
Das tarefas e brigas
Eu careço da rotina
Que eu nunca repeti

Apesar da igualdade
Da carência e reciprocidade
Eu ainda sou diferente
Do que tudo por aqui

Apesar do transtorno,
Do excesso e adorno
Eu ainda sou um pouco
Que ainda não distingui

Apesar da destreza,
Da herança e sutileza
Eu ainda me pergunto
Por que é que eu nasci?

A resposta eu ainda busco
Como quem vive o agora
Com quem ama um pouco de tudo
Pois sabe que vai embora.
 
A-pesares.

Saudade

 
Saudade
 
 
O nome é proveniente do Brasileiro,
Mas é sentimento que vaga o mundo inteiro!
E ao tentar traçá-la,
Desperta-me velozmente do imo
Adentra o pensamento e coração
E difunde-se pelo corpo com branda ilusão.

Saudade é o fazer sofrer da alma
E quando invocada
Faz-se ligeira na chegada.
E quando vinda a tona
Mesmo que por uma ingênua descrição
Machuca, fere sem qualquer afeição.

Saudade é quando nossa consciência íntima entoa,
Ao lembrar daquele gesto, daquele toque, daquela pessoa,
fazendo apontamentos palpitarem a toa.

Saudade é buscar alento nos sentidos
Ouvir vozes distintas sem um eco entoado
É repassar imagens como metragens
É sentir o toque sem ser tocado
É inspirar aromas sem odor algum
É contradizer com o cotidiano mesmo com tanto em comum.

Saudade é o poder que entra em cena
E instiga talentos da imaginação
É o atiçar de nossas frágeis carcaças
Fazendo-nos sentir a opressão estomacal
Fazendo oprimido, o pobre coração, de forma colossal
Fazendo a adrenalina exceder em nossas veias de maneira desigual
Causando-nos alucinógena comoção descomunal.

Saudade é o tentar atenuar pelo sonhar,
É fornecer alento para a vontade
Através da lembrança ...
Tornando-nos ingênuos como criança.

Saudade é não poder tanger e vivenciar,
Apenas recordar.
Esta sempre engatilhada
E mostrasse feroz quando invocada .
A qualquer momento,
Visitando-nos através de um objeto,
Um lugar,sempre pelo indireto.
E para o desespero rotineiro
Não hà tempo derradeiro
Aparece-nos o ano inteiro...

Saudade é o pressagiar
E, as vezes, resulta-nos o chorar.
É o sentir e não poder possuir
É o querer e não poder viver
É a consciência do passado
Aguerrido, desbravado!
que aparece quando precisamos de atenção.
Vem, fornece-nos alento
E de brinde toda a emoção
Para reviver, Despertar, Chorar,
Amar, Perdoar...

Mas faz bem em vir, para amenizar.
É a saudade que comprova que amamos
Que nos importamos, e retira-nos
Do modo inconsciente, mostrando-nos carente
Da necessidade de gente,
Interligando sonhos, com um falso futuro a frente.
 
Saudade

Dos teus pecados.

 
Pecado cometeu por querer quando não podia, por amar quando não queria, por crer que querer seria apenas alento para suas singelas utopias.
De quão valia a paixão, quando a morena índia cantava, e os íncolas entoavam-na como que com a repercussão entrelaçar-se-iam a um misero fragmento, que dela seria.
Pecado cometeu por crer que uma lança, arqueada no mais profundo de seu cerne, com o mais impetuoso toque, enfeitiçaria, volveria escrava do gentil atípico.
Pecado, dito pecado, por ser um ser mal amado, dotado de dotes centrados, sem o principal, entrega.
E pecou por crer que a alma de luz encarregaria de aclarar o que de ti era dever, subestimou-a ao prazer do nada e enrijeceu-a como pedra.
Impediu o céu estrelar-se, absteve a lua de iluminar.
Pecado cometeu em conversar com o sismo de teu ser ao tentar um ombro desejado.

''Torço do esboço que o caboclo não executou
Canto da morena moça que ele não conquistou
Jogo proibido que o cacique destemido manipulou
E de encanto matutino, de tanto zelo, nem um som restou...''

Pairou a loucura dos versos, os tenores inquietos que a tua alma ainda esbarra.
Foi-se o céu, partiu o sol, afastou-se a terra, restou o pecado, esboço de um pobre ser mal amado.
 
Dos teus pecados.

Discutível vida.

 
A vagareza do meu passo destoa,
com o absoluto comunismo do pensamento corrente.
Fora de ritmo, alimento-me do questionamento da luz.
És tu vida, que me apronta sem frescura,
Traz-me proezas na contracultura,
Tira-me os passos com fervura,
e sois discutível, oh vida!
O teu amor a tua compreensão...
Tudo parte de uma concepção,
Que quando bem composta
Qualquer objeção verte resposta
Unta-se ao pensamento, gera foco
que mesmo discutível situa-nos in loco.
Mas, quando mal fundamentada,
tanta teoria, converte-se em nada.
 
Discutível vida.

Desvendando a ''Vênus''

 
Para conquistar uma donzela
Não basta reverenciar-se diante dela
É necessário compreendê-la
amar, desejar, satisfazê-la.

Mulher é rosa é flor,
É peça chave que instiga o amor
E ao tentar tangenciá-la, cuidado!
A quem arrisque tocar seu caule,
E esquece que apesar de todo o brilho
Ainda é composto por espinhos.

Suas saliências podem machucar,
Podem ferir quando o assunto é amar
E caso se envolveres neste caminho,
Atice-a paulatinamente,
Não temas o que terás de encarar pela frente,
Mas evite suas forquilhas,
Mulheres, sempre cheias de armadilhas!
Chegue ao apogeu, rosa-botão
Apenas se tiveres uma carta na mão.

Antes de pretender compreender uma moça
Antes, conheça a ti mesmo,
Adentrando em teu mais profundo ermo,
Para buscar em tuas mazelas,
A distinção de casas, mansões e favelas.
Então cavalheiro, estarás pronto,
Pronto para batalhar por uma donzela!

Não são choros sem motivo
Não são risos sem um interno gemido,
Nem delicadeza apenas por classe,
Mulher sempre tem fundamento,
Mesmo com tanto disparate.

Amam na busca de reciprocidade.
Não suplicam por mera vontade,
Não demoram a trajar-se por simples vaidade,
Mulher possui no genoma a segunda intenção,
Então preste bem atenção:
Em cada gesto, movimentação,
Motivo, efeito e ação.

Ela é música que excita ouvido
E suas melodias... sempre no tom que se procura,
E como aguçam juras, de um futuro promissor,
Sonhador, encantador...amar e amor.

O sorriso e o veloz piscar
O soluço e o delirar
O sofrer por querer
O tentar e correr
O desistir e aquietar.

Hormônios-demônios,
Loucuras e mais juras!
Mulher-Vênus

Coração mole como manteiga,
E a vontade meiga de ser abraçada
Que, por vezes, é suprida com um pedaço de chocolate.
Ingerem-no por combate
de uma carência, muitas vezes, biscate!

Entenderás uma mulher quando detalhar sua alma,
O poder do gesto, da palavra e de um carinho,
O valor das atitudes
O toque, o cheiro, o olhar.

Tente compreender o que é lua e mar
E tudo que estes corpos podem insinuar
Instigue depreender o poder da natureza
Pois mulher muito possui desta proeza.
 
Desvendando a ''Vênus''

Doce Madrugada

 
Na calada da noite,
Onde todos se encontram em sonhos,
Eu devaneio acordada
Imaginando-me na estrada
E quem conduz-me? A madrugada.

Quando tudo parece penumbra
Forneço alento,
Extasio-me com as sombras
Divirto-me com o obscuro
Faço juras com o futuro.

Desperto na madrugada,
Para deleitar-me com o nada
Atiço todo o medo e fantasia
Para despir-los com magia.

Olhando para o inseguro.
Procurando formas no escuro
Contentando-me com o silêncio seguro.

Nada de agito,
Ouço a voz que vem de dentro.
Sem barulho ou tormento,
Escuto aquilo que me convém
Nada de opinião nem ninguém!

E todo este céu, com pontos cintilantes,
Me fazem ver distante,
Entender o que não se entende
E supor que todo o homem, seu amante,
Pode ir muito mais distante.
 
Doce Madrugada

Deuses

 
Com o advento do cristianismo
Foi-se o encanto dos deuses.
E com eles toda a magia
Do amor antigo, do saber e alquimia.

Ressuscito o politeísmo,
Através de versos transversos
Invoco todos os Deuses,
Que se fizeram no mundo, dispersos
E por Zeus eu começo.

Rei do olimpo e dos demais,
Entendedor de seres irracionais,
Do mais casto ao mais profano
Persuada o universo humano
De que a própria felicidade
É resultado de boa vontade
Sem queixas e pranto da humanidade.

Clamo a Poseindon,
Deus dos mares e da navegação
Que recolha minha negação
Conceda-me o perdão
De pensar tanto em solução.
E que acalme o pranto,
Como serena as ondas com seu encanto.

Hades! Deus do Inferno,
Peço-te calor no inverno
E ira quando necessitar
Combater o subalterno.
Coragem para entregar,
Quem merece castigar.

Ares-guerra
Coloque ordem nesta terra!
Mostre tua força soltes tua ferra,
Mas suplico-te que apenas,
Amenize o que não se encerra.

Afrodite minha beleza,
Exiba toda a grandeza
Do mais puro a sutileza
Daquela sagrada e esbelta natureza!

E o Cronos? Deus do tempo,
Tragas todo o teu alento
Para corrigir o tormento
De quem vive em contratempos
E ainda peço: aches uma solução
Para com sabedoria
Aproveitar toda a magia
Desta passageira dimensão.

Atenas deusa do saber
rogo-te que faça-os entender
Que na vida é necessário sofrer
Para assim compreender,
Todo o contexto do amadurecer.
Explique-os que não é errando que se aprende,
Mas sim analisando o que se erra.

Apolo Deus da luz e do sol
Sobreponha teus raios como lençol
Escolha o tom, dite em Bemol
Sobre a carcaça que necessita da liberdade de um rouxinol.

Hebe juventude!
Imponha-os atitude, plenitude
Agite-os com a inquietude,
Para aflorar suas virtudes.

Faltaram Deuses para exemplificar o mundo
Cada qual protege um fenômeno real,
Traz alento para o que, talvez, entre como irracional,
E dentre juventude, guerra, inferno e mar...
O importante é saber e interagir com o sonhar.
 
Deuses

A beleza de ser quem tu és.

 
Um mundo de contexto reciproco nos induz tanto ao um caráter "benevolente’’, aonde o ser Humano corre atrás de estímulos no qual faça e faça-o bem, quanto maléfico a ponto de buscar vingança, sofrendo o mal e cometendo o mal.

O sentimento de inveja parece-me surgir graças a relação da opinião de um "todo’’ (pré estabelecida e encadeada graças a coesão de ideias de uma maioria) refletida em um minúsculo grupo, ou mais possivelmente, um individuo. Em suma: a inveja surge quando você não tem o que a sociedade acha que você deveria ter, e você também acha isso, graças a essa "indução social’’.

A indução de uma maneira no seu modo de ser, o forjar de uma personalidade, a vulnerabilidade que estraga, questões estas que estão incessantemente e disfarçadamente em nosso meio sem pena e sem alma, devem ser percebidas e trabalhadas a tempo.

O Consumo e o padrão envolvem uma felicidade passageira, o flutuar da ideologia de algodão derrete e nossas infelicidades acabam por estarem constantemente nos inquietando. Não é a toa que vivemos infelizes, invejosos e superficiais, os nossos maiores objetivos estão vinculados ao modo capitalista de ser e de comprar, comprar, comprar!

Na verdade, na minha opinião, a busca pela felicidade deveria se tornar a busca pela estabilidade, pelo conhecimento do seu corpo, da suas condições mentais, do que lhe faz bem, sem ser algo e sim alguém! Ou até algum...algum sorriso, alguma flor, o vento tocando em seu rosto e talvez um bom dia!

A construção de um "eu" estruturado em reconhecer sentimentos, valorizar escolhas, descobrir e aperfeiçoar habilidades é a maneira mais óbvia de se sentir. O segredo esta no esforço que posteriormente produz o amor racional, que aprende a capturar, refazer-se, entender e sentir.
Um corpo, uma música, um estilo, só é puro quando provem do âmago e é desprovido, livre, de pensamentos secundários e influentes conscientemente.

Por isto um pedido:

Liberdade. Liberte-se.
 
A beleza de ser quem tu és.

Razão X Emoção

 
Ser racional
Evitar o irreal
Instruir-se pelo comunal
Para impedir o sentimental

Mas não me aguento
Sofro, respiro e busco alento
E sempre ao deparar-me com o tormento
Percebo que meu caráter
Nada mais é, que puro sentimento.

APScheffer.
 
Razão X Emoção

Vida Bandida

 
Doce vida bandida
Que me abanca
Gera ferida
Enquanto me supre e me nutre
Com as concepções da alma
Demonstradas no meu estilo, meu carma.

Doce vida profana
Que me engana
Machuca, proclama
Dúvidas e mais dúvidas
Que me tiram o sono
e me deixam sem dono
Nesta imensa criação.

Doce vida ardente
Que me torna carente
Um ser inconsequente
Em busca da ilusão,
De um amor sem fronteiras
Onde tudo é paixão.

Doce vida involuntária
Que me faz operária
Mais da fé do que a razão
Na busca de explicação
Do mais simples ao mais profundo
Ponto na vastidão.

Doce vida sentimental
que me faz irracional
uma palhaça banal

que ama a doce vida bandida...
e tenta compreender a lida,

escrevendo sem coesão...confusão!
 
Vida Bandida

O ontem.

 
O ontem foi o agora que já passou.
(O ontem só foi embora porque ninguém reclamou)
Deixou lembranças, esperanças de um dia voltar
Pessoas e seus alentos postos a esperar.
Nada aqui ficou. Ninguém para segurar
O mundo mudou, a rotina alterou, uma história restou...
O tempo pairou, e o ontem?
Esmaeceu? O que sobreviveu? Morreu?
Não sei, não sabemos, talvez seja resposta, aquilo que ficou,
Lapida-se algo fora das dimensões tangíveis,
lembranças um tanto quanto sensíveis,
que do universo, invisíveis, representam o tempo que passou.
 
O ontem.

Medieval

 
Se eu fosse rainha e você serviçal
Não me importaria em optar por sua casta
E demonstrar que o gosto por sua graça
Sem influência de cor, credo ou raça.

Se todo o encanto que me demonstras
Continuasse eterno
Te faria rei, mesmo sendo servo.

Trocaria meu castelo, meu requinte
E todas as desonrosas indulgencias
Por suas, e só suas exigências.

Árabes, Vikings e Húngaros
Que venham todos!
Desbravaria o mundo pelas cruzadas
Defendendo você e não a armada.

Contrariaria o clero,
Falaria só de ti,
com palavras de esmero,
Defenderia a sua fé e a sua razão.
Em troca do seu, só seu coração!

E com instinto helenístico
Alastraria esta minha - por sua, paixão.
Lhe mostraria os encantos
Do pensar por traz da sociedade
Sem medo de ser queimada sem castidade.

Por você me revoltaria,
Por você eu converteria
Por você eu lutaria
Por você e seu futuro seguinte,
Só por você e não por qualquer pedinte!
 
 Medieval

Antônimos

 
Quem me dera que o teu seu sejas meu.
E que o meu ''eu'' sejas só teu.
Que o nosso seja apenas eu e você
e toda minha singela vontade excite o teu querer.

Cobiço o cessar de meu pesar, com teu saber discreto...
(Que me convence sempre com afeto)
e faz-me almejar-te como a poesia carece de verso.

Que todo minha insensatez te incites em ser meu nobre cortês.
E toda a minha pressão seja vista com uma pitada de tua razão, sempre boa opinião,
reajustando meu insano coração.

Sonho eu que teu beijo
sejas o tocar de meus lábios
Que o teu perfume
sejas odor de minha essência
Tua visão o enfoque de meu desejar
E que tua ira venha a tona,
quando eu (e somente eu) a provocar.

Querer meu que minha alma
Sejas exemplo de tua calma,
Minha maneira de atuar
Sejas o teu singelo sonhar
Que o meu grito
Sejas o teu agito
E meu conflito tua sempre simples, solução.

Cobiça minha que todas aventuras
Sejam motivo de tuas juras
Que o meu momento
Sejas o teu evento
E que a minha ferida estanque-se com a inclusão
Do teu pulsar em um singelo e ameno, meu, coração.

Enganada, eu, que o meu pressagiar
sejas o teu realizar
Que o meu amar possas te conquistar
E que o meu lampejo,
Não soes como simples juras de um mero desejo.

Mas simpatizo, eu, com este meu encanto,
acompanhado de meu pranto,
Que sempre visita-me, pois nunca canso,
de pensar em ti sempre sem descanso.
 
Antônimos

Uma dose de nada por favor.

 
A porta já estava aberta, ela adentrou no estabelecimento, a penumbra em comunhão com alguns pontos de luz distribuídos na bancada indicava o local. Seguiu em frente, sem olhar para os inúmeros ‘’rapazes’’ que a dissecavam.

Era uma banqueta macia, apesar de carecer de encosto para sua coluna vertebral. Estava bom.
-Para a senhorita?
Enquanto observava a infinidade de recados rabiscados naquela pobre madeira que compunha o balcão, tardou a perceber que a pergunta se dirigia a ela.
-Moça!
Levantou paulatinamente seu tronco, como quem não tem pressa: uma dose de nada por favor!
-Como?
-De nada.
- Nada até temos, mas não sabemos servir.
Encantou-se com a resposta, ele sabia brincar.
- Dá-me o amigo do homem engarrafado!
-Whisky?
- Este mesmo, o mais barato e o mais forte.
Ela não olhou marca, não olhou cor, não olhou ano, não era de seu feitio. Mas o sabor, este não passaria despercebido, prestava atenção em suas papilas gustativas. Era amargo. Não costumava beber, era o nada que a moça queria e não este gosto.
Depois da terceira dose ela conseguiu. O que exatamente? Discursava frases inconclusivas e sentia-se agitada:
- Uma dose de nada, uma dose de nada!
O homem que a atendeu compreendera: a moça necessitava fugir de tudo e de todos por um momento, era o nada que ela buscava, era o nada que sua mente atordoada com tanta informação lhe negava.

Grandes observações: O intuito do diálogo foi apenas refletir sobre a necessidade de, por vezes, não pensar em nada. Um estado de tranquilidade livre de perturbações, este, infelizmente, cada vez mais financiado por alternativas externas, como os fármacos por exemplo.
 
Uma dose de nada por favor.

Presente

 
Meu encanto desvairou-se em pranto
Foi como poucos emergindo
E convergindo
Com algo estranho que vinha vindo...

Colidiu com o futuro
Dinâmico e obscuro,
E que eu nem juro
Que consigas pular o muro!

Meu encanto foi-se em pranto
uniu-se com o passado...
com armaduras, agarrado!
em pensamentos fechados.

Foi-se com o vento, foi-se com a
Descoberta, de que no mundo
Não existe presente puro
Sem auxilio de passado e futuro.

APScheffer.
 
Presente

Encargo de ALMA

 
Ah! Esta tal de alma.
Surge do além
Se adentra em alguém
E sem nenhum porém
Nos faz sentir além.

Puras e brancas
Envolvem-se com lembranças
E soam com seus soturnos versos,
Conhecem todo o encanto do universo
Que nós, meros humanos
Apenas contestamos.

Almas desgraçadas,
Que fazem sofrer o corpo
Buscando um ao outro
Por mero prazer ou gosto.

Talvez se atraiam por um objetivo
Talvez por possuírem a forja de um destino
Ou seria apenas encanto
Que se encontrem em pranto
E façam da coincidência
O inicio de toda existência?

Judiam de nosso tronco,
Extasiam-se ao deparar com análogos
Almejam os corpos, o cheiro, o tato...
Alimentando-se de um intrínseco contato.

Somos compostos por raça
E mesmo assim não distinguem por carcaça.
Buscam seu complemento sem olhar por fora
Encontram, amam e vão embora...
A procura de quem sabe em outro planeta
Na areia, no mar ou até em um cometa.
Outro efêmero corpo.

E como são safadas,
Quando amam, descaradas!
Buscam a própria compreensão
Aliciam humanos
Cometem uma gama de enganos
E se acaso encontram uma singela explicação
Metabolizam toda a reação
Da alma ao humano
Fixando a união.
 
Encargo de ALMA

Forma Pronta

 
Enganados por pensamentos de outrem
acreditam nas crenças alheias
sem ao menos escutar a voz que os anseia
- pobre humano que não peleia -

Viver em sociedade
Sem almejo diverso da vontade
Evitar o ''ser curioso''
Por preguiça ou medo de algo enganoso.

Não adentram nos males do universo
Estão cegos diante dos versos
Impostos por seres ditos "corretos’’
Que os convencem por decretos.

Cada cabeça uma sentença
Sendo assim, cada crença uma cabeça,
Cada corpo uma unidade,
Cada qual com sua regularidade.

Não deixes que a forma pronta
Te convenças com tua afronta.
E quando vier de escolta
Mostres toda a tua revolta.

Tudo é distinto, modelo de visão,
Podemos e devemos divergir opinião,
Entendas o que é, e pode ser verdade
cogite inúmeras possibilidades.

Talvez pelo ócio ou falta de orientação
Pobres oriundos da sociedade
Que não presenciam o prazer da contestação.
Que encaram tudo como pronto
Perdem todo o encanto e dissipam descobertas
Singelas, belas e incertas
fornecem o sustento para a curiosidade
e fazem com que a vida seja vestida de autenticidade.

APSCHEFFER
 
Forma Pronta

Antes Fosse.

 
Antes fosse meu cansaço
Ao perceber tua indiferença.
Antes fosse um consenso
Do teu querer na minha percepção.
Antes fosse dois que apenas um
Unindo tua sabedoria ao meu senso comum.
Antes fosse um sorriso só pra mim, teu
Do que uma boca que já pereceu.
Antes fosse teu olho no meu
Que meu olho no seu, sem o teu.
Antes fosse duas piadas
Do que uma mal acabada.
Antes fosse algo mutuo
Do que um incompleto conjunto.
Antes fosse minha opinião
E a tua aceitação.
Antes fosse só meu imaginário
Sem esta realidade sem razão.
 
Antes Fosse.

Corra Carolina.

 
Vai-te em pranto,
E quem sabes descubra o encanto
De um merecido descanso.
Quem sabes encontres o teu alguém
Em uma viagem ao além.

Corra Carolina,
Vai-te aventurar em lugares inóspitos
No mato, junto ao ar, faça contato
Adentre na selva selvagem
Desbraves leões, cite Camões,
Entendas corações.

Corra Carolina,
Teu período merecido começa
Não me faças apenas promessas
Busques a tua sonhada adrenalina
Desbraves o tempo, o sol e a neblina.

Corra Carolina, não cogite mais amar
A não ser a natureza e o sonhar.
Estás de férias - de corpo e alma,
Vá atrás com toda a calma
Mas tenhas cautela!
almeje apenas o que tanges tua palma.
 
Corra Carolina.

Pedi à voz

 
Pedi à voz que fosse engano,
Um murmúrio passageiro do meu coração.
Pedi que boatos fossem descrenças,
Pelo ruído provido da audição.

Pedi que o sofrimento fosse mentira,
E que o mundo não fosse conspiração.
Pedi à voz o cessar da nostalgia,
Aonde os sons impede-me de abdicação.

Supliquei que não houvesse diferença,
Entre a realidade e a ilusão.
Pedi que os corpos fossem ausentes,
E que as almas se aliassem por oração.

Pedi à voz que entendesse meu desejo,
Em tablatura simples, de fácil repercussão.
Supliquei a cura à este mundo doente,
Que carece de um canção.

Pedi à voz o carinho,
Que tanto vagueia sem uma mão.
Pedi que falasse-me baixinho,
Poesias tolas sem explicação.

Pedi à voz tanta coisa,
Tanto sonho, tanta ilusão,
Que após ouvir sua resposta,
Pedi à voz que encerrasse o som,
Da batida em dó, vinda sem ré,
De ti, em meu coração.

O problema visa brincar com a voz, e não com o pronome vós.
 
Pedi à voz