Poemas, frases e mensagens de Brunovieira

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de Brunovieira

A Morte de Um Qualquer

 
1.Preparatorio

Comprem o caixão
Acendam uma vela
Preparem os salgadinhos
Não se esqueçam do café

Se sobrar um dinheiro
Compre aquela coroa
De lírios e rosas
Mas só se sobrar

Ligue para os amigos,
Para os parentes distantes
E diga que sairá
Amanhã as cinco da tarde

2.O evento

Tanta gente
Que não se via mais
Veio até a prima
Que mora em Rondonia

Todos cabisbaixos
Chorando, comendo
Alguns rindo
Talvez não sejam parentes

Já estava velho mesmo
Doente, descansou
Deus sabe a hora
De chamar o seu povo

3.Comentarios do defunto

Inventei de morrer
Num dia de calor
Mas pelo menos
A dor passou

Gastaram tanto
E esse caixão vai
Apodrecer e com meu corpo
Virar adubo

Essa gente vai embora
E nunca mais
Se lembrarão
De quem eu fui

Olha lá
Até o padre
Esta com sono
No meio de seu sermão

A minha prima
Também chora
Nunca me ajudou
Ou faz media ou se arrependeu

Não, você não
Não chore, meu amor
Talvez você também
Venha a semana que vem.
 
A Morte de Um Qualquer

O Amor É Cego

 
O Amor É Cego

O amor é cego
O amor é chama
O amor reclama
O amor é ego

O amor ilude
O amor entrega
O amor se nega
Em negar mais doque pude

O amor não pede
O amor ordena
O amor é pena
Pena quem ao amor cede

Quem quiser amar
Então que ame
Só depois não reclame
Quando o amor acabar.
 
O Amor É Cego

A Noite, No Meu Quarto

 
A Noite, No Meu Quarto

A noite, no meu quarto
Olhei pra janela
E o vidro que me refletia
Fez meu olho esquerdo
Ter a lua em sua pupila
Então tive os olhos do mundo
E podia ver estrelas, cometas,
Asteroides e galaxias
Além de onde chegava
A luneta do planetário
Então me senti Deus
Mas sem a parte ruim
Porque Deus tem que
Ouvir pedidos idiotas
E levar culpas que
Não cabem a Deus
E ouvir o pranto
Dos filhos seus
Que choram muitas vezes
Por coisas que não valem
O pranto derramado
Fui o Deus da contemplação
E contemplando a dança
De asteroides e estrelas
De brilho e beleza incomuns
Senti como é bom
Ser livre e ter
Um universo só meu
E tudo era maior
Que tudo quanto havia
Sonhado em toda minha
Ínfima existência
E foi aí que vi
Minha pequenez e
Que não podia ser Deus
Eu estava no espaço
E não era onipresente
Eu não conhecia aquilo tudo
E não era onissapiente
Eu nada podia frente
Aquela imensidão
E não era onipotente
E, apesar de ter sentido
Um amor incondicional
Como se diz de Deus
Eu não o era
Eu era só eu
Eu e só
Com meus pensamentos
E o olhar unido a lua
Ambos refletidos
Na janela do meu quarto.
 
A Noite, No Meu Quarto

Deus me Livre

 
Deus me Livre

De coração partido
E pés no chão
Faço-lhe um pedido
Em forma de oração

Oh Deus,
Que de mim seja o que for
Mas não me de o castigo
De morrer por amor

Eu desconjuro
Se esse for o meu destino
Eu era tão feliz
Em meus tempos de menino

Não sei por que na vida
Há tanto dissabor
Deus me livre do destino
De morrer por amor.
 
Deus me Livre

Homenagem Ao Fim De Um Grande Amor

 
Homenagem Ao Fim De Um Grande Amor

Ficou carinho
Ficou saudade
Ficou a dor
Ressentimento
Descontentamento
Tristeza
Infelicidade
 
Homenagem Ao Fim De Um Grande Amor

Vida

 
Corre o homem
Contra o tempo
Corre o tempo
Contra a gente
Corre a gente
Pela vida
Corre a vida
Contra o homem

Todo homem
Quer a vida
Toda vida
Quer futuro
Colho os frutos
Da minha vida
Vida corre
Contra mim
 
Vida

Onda Aflita

 
Onda Aflita

Traz...
Leva...
Traz...
Parece até
Que brinca
Sadicamente
Com a gente
A vida que
Não nos deixa
Ter paz
Numa eterna
Onda aflita de
Leva...
Traz...
Leva...
Traz...
 
Onda Aflita

Amigo J.

 
Amigo J.

Poeta,
Não conheço tua dor
Mas tenho dor imensa
Ao te ver como hoje vi

Algo que lhe doía
Transparecia em tua sombra
Tua alma então chorava
E de lagrimas te cobria

Te matas e a mim
Lanças dor imensa
Me atordoando
E entristecendo

Poeta, salva-te agora
Que ainda há tempo
Pra mais um verso
Até raiar o dia
 
Amigo J.

Levo em Meu Peito

 
Levo em Meu Peito

Levo em meu peito
Amores findados
Dores de minhas perdas
Saudades de minha infância

Levo em meu peito
Um nó de minha idade
Intrincado e imaturo
Gritando por responsabilidade

Poderia aliviar meu peito
Talvez me suicidando
Mas isso também seria
Imaturo demais

Vão passar os anos
E vou colecionar amores,
Perdas, saudades,
Imaturidades e desenganos
 
Levo em Meu Peito

Aquela Moça

 
Aquela Moça

Pensei
Em perguntar seu nome
Deixei
Pra lá o seu telefone
Outra vez
Quem sabe eu te encontre
Num proximo mês
Num proximo ano

Talvez
A gente se veja denovo
O acaso pedindo socorro
Na porta do trem
Metrô Madalena
Pra nunca mais

Eu morava no Brás
Ela em Saquarema

Dedicado a moça linda que encontrei no metrô, a qual não tive coragem de conhecer.
 
Aquela Moça

Memórias De Infância

 
Memórias de Infância

Sinto falta
Daquele regato
Do cheiro do mato
Da lenha e fogão

Sinto falta
Da simplicidade
Daquela vontade
Daquela paixão

Das aves cantando
Do vento levando
A poeira, as folhas
E minha imaginação

Sinto falta
Da fruta no pé
Do sonho e da fé
Na minha oração

Sinto falta
Da paz que sentia
Quando a chuva caia
No pé de limão

Sinto falta
E só resta a lembrança
Da minha infância
Em meu coração
 
Memórias De Infância

Minha Cabeça Chora

 
Minha Cabeça Chora

Minha cabeça chora
Se apoia no ombro do passado
Ando olhando meio de lado
Ando pensando e contando as horas

O futuro incerto me assombra
Tira o chão, me devora
Na fúria da triste senhora
Segue, o nada, a sombra

Tanta magoa em meu peito
Um lago turvo afoga
A incerteza, a madureza
A vinda da morte em meu leito.
 
Minha Cabeça Chora

Espero

 
Espero

Espero
Ausente
Reflito
Bocejo

Escrevo
Apago
Disfarço
Não vejo

Percebo
É tarde
Apresso
Meu passo

Não faço
Não penso
Não temo
Cansaço

Como é
Que podia
Na noite
Ou de dia

Viver
Não vivia
Sonhar
Não sonhava

E quando
Acordava
Era eu
E morria
 
Espero

Sobre Filhos da Puta

 
Sobre Filhos da Puta

Os filhos da puta estão soltos
Os filhos da puta estão a vagar por aí
Os filhos da puta não tem a cara estereotipada
Que se imagina que tenham os filhos da puta
São filhos da puta e só isso basta

A espreita,
Esperam uma oportunidade
E exploram
Sua mais intima alegria
E tudo que era bom
Vira gosma de esperança
Saúde se torna surto de dengue
E a vida para
Como a agua de seus vasos de plantas
E ervas daninhas
Cultivadas para infestar
O coração dos distraídos

A pureza de pensamento
Não existe mais
Não se envolve mais
Os braços ao redor
E só eles sabem
Da crueldade
Da maledicência
Do agouro
E do que há por de traz
Do coração pétrido
Pútrido e gélido
Do filho da puta.
 
 Sobre Filhos da Puta

O Amor Que Não Encontro

 
O Amor Que Não Encontro

O amor que não encontro
Anda a vagar por aí
Talvez numa nuvem
Talvez n´algum ponto
De nossos desencontros
Onde eu me perdi

Deve estar a caminho
Vindo bem devagar
Ou se perdeu na estrada, sozinho
Ou na areia onde quebram
As ondas do mar

O amor que não encontro
Me causa ansiedade
Desamor, preguiça
Falta de vontade

Pode estar na esquina
De uma rua qualquer
Disfarçado de amor de menina
Entrevado no peito
De alguma mulher

Corre meio ao escuro
Um medo que em mim persiste
De que o amor que procuro
E não encontro
Seja um amor que não existe
 
O Amor Que Não Encontro

A Mão do Vento

 
A Mão do Vento

Sinto o vento noturno
Acariciar o meu rosto
Feito mão de mãe
Que consola seu filho

Como se num ato de amor
Puro e santificado
Pudesse a Mãe Natureza
Se compadecer de minha humana tristeza
 
A Mão do Vento

Sozinhos

 
Sozinhos
Eu e meus pensamentos
Em prantos
Ouço ecoar no vento
Uma vóz que diz
Que te amei tanto
Que amei por nós dois
E só vi depois
Que tudo acabou
 
Sozinhos

Ao Meu Eu Menino

 
Ao Meu Eu Menino

Puxei pela memória
E vi um tempo
No triste intuito
De me esquecer de hoje

Eu brincava,
Me divertia.
Eu me esquecia,
E me lembrava

Somente o eu
Que ali estava
Era quem de mim
Sabia, e nem desconfiava

Que eu cresceria
Em desencantos
E daquele eu
Em prantos me esqueceria.
 
Ao Meu Eu Menino

Amor Caipira

 
Amor Capira

Minha frô de maracujá
Meu pé de macaxera
Da minha vida abro a portera
Pra modi ocê entrá

Tantos dia e tantas noite
Andava sem eira nem beira
Da estrada comi puera
Da vida levei açoite

Mas na noite ocê veio
Iguar quenem um crarão
Alumiô a iscuridão
Mandou imbora meus anceio

E hoje, pra alegrá a vida intêra
É só nocê eu pensá
Minha frô de maracujá
Meu pé de macaxera
 
Amor Caipira

Oque Aprendi Com o Amor

 
Oque Aprendi Com o Amor

Não aprendi nada com o amor
E ele ainda me fere
Desfere golpes contra meu peito
Castiga meus pensamentos e desanda a vida

Não aprendi nada com o amor
O amor é enganação humana
Ninguém em sã consciencia ama de verdade
Ninguém gosta de chorar e nem sentir saudade

Não aprendi nada com o amor
Sentimento estupido que promete
Tudo, até o mundo, a vida, a alma
Mas a nós, sobre ele, nada compete

O amor é chama de absoluto silencio
É tristeza e solidão quando acaba
É ciume, é possessão
É o outro errar, e a gente pedir perdão
 
Oque Aprendi Com o Amor