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Contos : 

QUANDO A LUZ SE APAGA

 
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Sempre acreditei que os sonhos são capazes de nos fazer viajar através do tempo e do espaço. Há quem diga que os sonhos são manifestações do subconsciente, assim como alguns dizem que são viagens que nossas almas fazem, enquanto deixa nossos corpos desamparados em nossas camas.

Após um exaustivo dia de trabalho como de costume tomei meu banho saboreei uma sopa de legumes bem quentinha, estava propicio para tal, pois estava um friozinho. Fui para o meu quarto me recostei na cama. Não sei dizer se pelo cansaço, se pelo clima ou o luar mais que o normal emanava seu brilho forte através da vidraça, ou mesmo a musica suave que tocava na vitrola, acabei dormindo.

Logo entrei em sono profundo meu corpo já não mais respondia a nenhum impulso, porém, me senti caminhando podia ver claramente a lua logo acima de mim parecia bem perto, porém aos poucos a escuridão parecia mover-se ao meu redor, caminhei por muito tempo pela imensidão negra que me abraçava.

Quando imaginei estar entrando num terreno perigoso me vi em um lugar montanhoso repleto de luz brilhante, Vários jovens tocavam arpas cantavam um lindo canto, cheios de felicidade tocavam e dançavam muito, havia amor e harmonia entre eles. Eu não sentia vento, porém, percebia que me deslocava com incrível rapidez. Apesar de não entender o porquê e para onde, eu sentia que no final algo muito importante me esperava.

Uma das jovens veio até a mim tocou meu ombro e disse: Ali é nosso hospital, vá! Alguém a espera. Seguindo suas orientações caminhei admirando a paisagem, muitas flores, um belo jardim com uma fonte de água límpida. Passei pelo rol de recepção do hospital chegando ao pavilhão feminino, onde se encontravam os leitos com os enfermos. Olhei tudo que minha curiosidade aguçada permitia meio que extasiada perguntei à enfermeira: precisa de ajuda? Sim! Vá até o leito ao lado da janela.

Caminhei até o leito indicado, de repente, uma luz intensa cintilou ante meus olhos, aquela senhora que ali estava me trouxe uma imensa paz, dormia serenamente, lhe acariciei afetuosamente a face, passei a mão levemente em seus cabelos, fiquei por horas ao seu lado. Sentia como se fosse parte de mim. Sem se virar sem se meche balbuciou: A morte minha filha! É uma coisa linda, ela vem nos livrar da dor que o mundo nos impõe, basta aceita-la. Segurou minha mão suavemente a beijou e adormeceu. Afastei-me lentamente, caminhei para o outro lado do hospital onde muitas crianças brincavam, algumas me acompanhou até a fonte no jardim onde encontrei a saída.

Abri os braços e o peito, respirei fundo, embebedei-me de luar, alarguei os olhos ao pico da luz, escalei o ponto mais alto de uma montanha. Em passos lentos, porém, seguro fui me distanciando daquele lindo lugar.

Acordei apalpando ao meu redor para certificar-me que aquela era minha cama, a luz ainda refletindo em meu quarto, logo raios e trovões finalmente a chuva mansa e o dia amanhecendo. Assim que tive certeza de estar em casa, fui até a cozinha e tomei um imenso copo d'água seguido do café da manhã. Preparei-me para mais um dia de trabalho.

A vida é muito mais do que parece, entre sonhos e realidade se trabalha para que cada um alargue seus potenciais. As ilusões vão se desfazendo e fazendo para que tudo se esclareça. Muitas das vezes nos obrigando a agir contra o impulso de nossa verdadeira natureza, e dessa forma vamos adquirindo clareza aumentando nosso senso de realidade.


Rosa Righetto

 
Autor
LUALUNA
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