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Textos : 

arma dura

 


. façam de conta que eu não estive cá .








que fazer quando tudo arde. com a sala inacabada. o corpo às voltas e a aflição. não perguntar à consciência quais são os limites da fuga. ir, sem olhar para trás. o destino é morrer. é quando a porta se abre que a cabeça se fecha. já nada pensa, nem a sombra. uma mulher vê-o cruzar a rua, a barriga apertada junto ao cinto das calças. está nua, camisola curta. a mulher respira e chama o filho que conhece então o rosto do pânico e chora. a mulher corre.ele de braços abertos.sempre de braços abertos. descalço.que fazer quando tudo arde. fechar os olhos é subitamente encontrar o teu rosto. deixo cair o corpo no passeio. um pássaro pequeno, vejo, vem ao meu encontro. é o lugar de ver o corpo imóvel. mas onde encontrar a raiz do medo quando o corpo volta por onde fugiu. assim cresce uma árvore ininterrupta. não haver grades no céu nem se ouvir sequer o tempo, talvez a não existência de pequenos pássaros. como vês maior é o precipício e a queda quando o corpo não sabe fugir. se o rosto o dissesse quando regressa, corpo ao colo, pânico no ventre. talvez depois crescesse menos.









 
Autor
Margarete
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Enviado por Tópico
sampaiorego
Publicado: 02/09/2010 10:56  Atualizado: 02/09/2010 10:56
Colaborador
Usuário desde: 31/03/2010
Localidade: algures virado para o mar com gaivotas
Mensagens: 1141
 Re: arma dura
muitas vezes fico distraído com as tuas palavras. mas aqui estou. sempre a ouvir o que tu dizes de ti - sempre dizes muito

beijo

sampaio(r)ego

Enviado por Tópico
cleo
Publicado: 13/09/2010 07:17  Atualizado: 13/09/2010 07:17
Luso de Ouro
Usuário desde: 02/03/2007
Localidade: Queluz
Mensagens: 3857
 Re: arma dura
Não sei se tu se o mestre, mas que dizer da prosa quando ela se ergue, magnífica, perante os nossos olhos deslumbrados?
"Que fazer quando tudo arde?" e as nossas palavras são tão poucas para dizer do que sentimos...
De maneira que nos deixamos ficar, como pássaros inanimados, prostrados sob um chão de malmequeres, incapazes de nos levantar e fazer com que nos ouçam antes que nos julguem mortos e nos cavem uma sepultura com o intuito de nos enterrar ainda vivos.

Um beijo