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Carta do Meu Descontente Ser

 
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4.38Am

São exactamente quatro horas e trinta e oito da manhã e o pensamento que me leva a ti não me quer deixar dormir, a ancia de estar contigo teima em apertar cada vez mais forte de encontro ao meu peito.

Sei que vou estar contigo em breve, mas ao que consta, isso parece não chegar para acalmar o ser que coabita dentro de mim, e que existe em mim para além de mim. Esse ser abala com toda a força as paredes que o prendem, força com todo o seu ânimo a camisa-de-forças a que eu o prendi. Esse ser que existe em mim para além de mim quer, mais do que tudo, a tua presença. Ele suplica, ele grita, ele pede, ele geme, ele enrola-se numa bola quando não te sente.

Ao que parece o Ser que existe em mim para além de mim nutre um sentimento muito estranho pela tua pessoa, pelo teu ser, pela tua essência.

Sento-me na noite dentro da sala que existe em mim dentro de mim, com o ser que lá habita. Olho-o, curiosamente, reparo que tem algumas parecenças com a minha pessoa, a boca, os olhos, o nariz, toda a sua expressão facial se assemelha á minha. Os braços, as mãos, as pernas, os pés, são exactamente iguais aos meus.

Observo-o por mais uns instantes. Enrolado numa posição fetal parece ter medo de algo, e quando dou um passo em sua direcção a sua expressão facial muda, parecendo um monstro enraivecido.
Então recuo.
Espero mais um pouco e tento uma nova investida, a reacção por si proferida é a mesma.
Torno ao meu lugar.

Pouco tempo depois noto alguma curiosidade da sua parte, quando Ele olha na minha direcção. Parece não me querer conhecer, conhecendo-me. Parece não me querer ver, observando-me.

Aquando da passagem do tempo esse Ser que habita em mim dentro de mim para alem de mim, parece acalmar-se, parece compor-se.

Embora não o consiga controlar sei que ele apenas necessita de uma coisa, que julgo, só tu lhe possas dar.

Por isso me obrigo pois, a esperar o teu regresso com bastante ansiedade. Porque para além de ter uma grande curiosidade em conhecer esse ser que existe em mim, tenho ainda maior das curiosidades em saber o porquê dele se comportar de estranha forma.

Aguardo o teu regresso com a maior das paciências



(ps: Vou tentando amarra-lo pelo tempo que conseguir, mas julgo estar a perder as forças. Por isso torna depressa)




 
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Diogommalves
 
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