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Poemas : 

BOMBA CUPIDO

 
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Senti-me estranho de repente,
deixo que esta caneta me tente,
encaro as palavras frente-a-frente
e perco controlo lentamente.
Eufemismos para o que o coração sente,
que se infesta na minha mente
e se reflecte em toda a gente.

Não me deixo levar frequentemente
mas a minha mão ficou quente.

Sinto pulsação no esófago,
só me resta ter estômago
para conseguir escrever
sobre o que não quero ver,
sentimento que não quero ter,
outra desilusão e sofrer
para me lembrar antes de morrer.

Os beijos que trocamos e roubamos,
as horas que falamos e pensamos
e os momentos que gravamos e recordamos.

Tudo acaba da mesma maneira
e nasce a eterna barreira.
Criada pelo imaginário
mas mais real do que o calendário.

Horas de silêncio aumentadas
por fotografias queimadas,
são dores sincronizadas
que restam agora acabadas
nestas letras retratadas,
as tentativas falhadas,
dessas vidas temporizadas
e pelo cupido violadas.
 
Autor
GDS
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