A uva não revela, na videira,
o vinho cor de sangue, encorpado,
que bebo distraído, descansado,
ao lado do calor desta lareira.
A árvore, de raízes bem no chão,
esconde nos seus veios a beleza
dum fino violino que a destreza,
fará nascer nas mãos de um artesão.
Mas tu sempre mostraste que serias,
com o passar do tempo e dos dias,
um poço de beleza e sedução.
À porta do clube dos quarenta,
tu és belo demónio que me tenta,
e enche o meu peito de ilusão.