Hoje lembrei-me de mim
dos sonhos e dos planos semeados no tempo
Hoje retirei todas as velas apagadas
pelo sopro do meu suspiro
e mergulhei nas camadas agridoces da vida
recordei as horas sentada
na berma do caminho
olhando os rostos que por mim passavam
apresados, calados
como se fossem amordaçados
pelas crises existenciais de serem
simplesmente rostos
Hoje apago uma nova vela
num sopro feroz
desenho com suaves memorias
o teu rosto
e nos meus olhos semi-cerrados
uma lágrima embacia
o contorno dos teus lábios
Hoje pela porta aberta
arrumo os meus passou
e o tempo deixou de ser tempo
e é tão somente vida
Escrito a 12/4/26