https://www.poetris.com/
 
Poemas : 

O Velho e o Mar

 
Tags:  mar    homem    mãe    mãos    horizonte    velho    banegas  
 


Minhas mãos trêmulas seguram as redes
como se fossem os meus pães e os meus peixes.
Sou mais um entre outros, talvez o menos lúcido.

O mar me adotou nos lamentos de minha mãe.
Nele fui criado, até me tornar homem forte.
Não canso de olhar o horizonte, que se acaba não sei onde...

As ondas namoram a areia e eu namoro meus sonhos.
Sou um velho apaixonado pelo canto das sereias.
Farejo temporal, leio nuvens e as estrelas do céu que vão e vêm.

O mar apaga minhas memórias sofredoras.
A pele morena não se acostuma mais ficar fora do sal.
Fui adotado por águas claras, que não existem mais.

Mas ainda assim, bendito o dia em que nasci sem pai!
Minhas mãos ainda tremem...não tenho pães, não tenho peixes.
Ouço chamarem meu nome, lá longe...levanto e vou.

Vou pescar, sem anzol e sem isca...andarei até entrar no mar.
O balanceio das ondas me lembrarão os braços de minha mãe.
Sossego. É hora de descansar.


Cláudia Banegas

 
Autor
Cláudia Banegas
 
Texto
Data
Leituras
2862
Favoritos
1
Licença
Esta obra está protegida pela licença Creative Commons
14 pontos
4
1
1
Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.

Enviado por Tópico
atizviegas68
Publicado: 30/12/2014 20:12  Atualizado: 30/12/2014 20:14
Colaborador
Usuário desde: 09/08/2014
Localidade: Açores
Mensagens: 1371
 Re: O Velho e o Mar
E. Hemingway teria apreciado...por no poema ter contemplado
a simplicidade com que ele escreveu o livro.

Belo.


Enviado por Tópico
Jmattos
Publicado: 30/12/2014 23:36  Atualizado: 30/12/2014 23:36
Colaborador
Usuário desde: 03/09/2012
Localidade:
Mensagens: 16193
 Re: O Velho e o Mar
Poetisa
Lindo! Gostei!
Beijos!
Janna