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Os golfinhos de Galatéia

 


Quando todas as sombras começam a furtar geleia,
à meia-noite exata, abelhas tendem a desmoronar.
Ninguém nunca esquecerá os golfinhos de Galateia,
ninfa imortal olhando pedras que rolam à beira mar.

Dois corpos aleijados jamais conterão espírito rude,
amorfo gemidos de luxúria ardente não terão eco,
tudo se encontra na intersecção da cultura e atitude,
a cada sexta feira pode-se ver o ícone guatelmateco.

Saúdo os que vão morrer em admirável loucura,
saberei medir os teores do mercúrio ou do vapor,
cachaça será mantida num tonel de madeira dura,
o coração inquieto foi o passaporte para o pastor.

Talvez ainda alguém se lembre do nome ali escrito,
pode ser só loucura, mas acho saudável o momento,
admiráveis atos foram feitos em nome do proscrito,
para dores das mãos sempre haverá um linimento.

O pó é amargo, nos pés mais que no cálice supremo
tento votar mas a urna eletrônica está com defeito,
vejo melindres das rajadas de ciumes de Polifemo,
o fez matar o vento cobalto que lhe tomou o peito.

O dia do discurso pode agradar melhor que a brisa,
quando alguém usa anel de bacharel no indicador,
grasnam gansos selvagens na onda que o vento alisa,
onde estará aquele que quis quebrar o pé do cantor?

Dê-me uma carta só, não é necessário ser o coringa,
bem sei que não posso escrever com carvão gelado,
pode estar bom que tanta água esfrie na moringa,
no rio Acio foi o sangue do pastor transformado.

Tantas assinaturas existem sobre o selo do lacre,
as cordas não cobrem buracos e rasgos de lona;
minha coleção de minerais exala odor meio acre,
o dedo de Deus está mais nu, não usa pantalona.

Não quero abraçar nada e depois descer das ameias,
seria doloroso coibir a passagem do índio sem cocar;
pela eternidade vivendo nas ondas que tocam areias,
flutuando nas espumas sem à terra jamais retornar.

Nevoeiro transforme em sombra colorida aliterada,
sobras congeladas do gás que um dia teve a ideia,
parece que nunca mãos invisíveis surgem na estrada,
alterando a rota firme dos golfinhos de Galatéia.

Permitindo que tudo possa ser como nunca nada foi,
não se colhe o que não se planta, diz o velho ditado;
abra o livro na página queimada da obra de Tolstoi,
as mãos derretem no nevoeiro dos abissais alados.

 
Autor
FilamposKanoziro
 
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