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Poemas : 

Infrequências

 

“E, todas as entidades que ignoro
sentem que as amo,
que aprecio a inutilidade dos seus olhos,”

João Rasteiro,
in “A Auscultação da Triangularidade”

“cego não é
aquele que não vê,
é todo aqueloutro
que não quer ver!...”

olhares amorfos, brutalmente amorfos,
não aprofundam a evidência
da singularidade observadora
numa amplitude consciencial.

um dia
a raiz do mundo
voltará a ser raiz,
de qualquer modo.

há um apetrecho inseguro
quando se olha de soslaio
ou se transmite um cabisbaixo
amedrontado.

o trânsito humano
descambará num dia maior
e todos os sinais luminosos
passarão a ser
meros estorvos paisagísticos.

mas nesse dia
continuará
a paisagem a existir?

ou a sua raiz secará
de inexorável modo?!...

António MR Martins


António MR Martins
Tem 11 livros editados. O último título "O tempo também arde", Emporium Editora, 2018.
Membro do GPA-Grupo Poético de Aveiro
Sócio n.º 1227 da APE- Associação Portuguesa de Escritores

 
Autor
António MR Martins
 
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