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Poemas : 

tu: barão

 
por vezes ando à deriva sem hora de chegar
olhando o vidro do meu desespero

ouço teus gritos como se meus fossem

para não ouvir, agarro num caco
corto o meu cabelo fundo e enrodilhado
como quem corta o seu mal pela raiz

por vezes olho a multidão que me alerta
tão estranha para mim, eu nunca ouço o que me diz,
longe estão meus olhos de pedra
minha pele nada enxerga, nessa absurda direcção,
onde só me situo quando estou na escuridão

até o mar em mim é limitado, por não caber nele junto a ti,

é que, meu sangue está puro doce e comestível
para teus lábios secos de sede e quase sem vida
à espera da mordida ritual

num momento sem perdão, meu erro te deixa acoitado na oportunidade,

oh, será a tua hora, o tempo certo
de jorrar as tuas dores no meu vestido branco
mas, talvez não saibas, eu sinto mais essa dor que minha própria carne

é esse lance, onde o terror e o amor se enforcam mutuamente

olho do alto esses sentimentos de onde caio no mar concreto e contaminado do desespero dessa espera
que me ataca como tu: barão que de ti sai

duplo personagem que te devora
depois de abocanhar minha pureza

 
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gabrielas
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Enviado por Tópico
bitcoin
Publicado: 07/09/2019 16:14  Atualizado: 07/09/2019 16:14
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 Re: tu: barão
tu tu... tu tu barão... nossa... nem é bom... estou a imaginar... à deriva... que bom. como vês reticencias não faltam neste comentário. Gabriela cravo e canela eheh tinha saudade. se não tivesse de fazer a noite branca, estavas feita.
bom fim de semana