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Poemas : 

limpo

 
na mira do fuzil o chão. o fora e o dentro lustroso, brilho. transparente a lente, a cruz que a segue. a luz. na solidão do cano, arriscado, nem pó. sem causa, espera, pausa. hábito de gatilho. um pombo verde esvoaça. esvoaçam os ramos finos das oliveiras que compõem a serigrafia, presos, contudo, pelas raízes. ao ar, onde tudo voa, anda e corre, há que ser leve. iludir a pedra, livre no arremesso. as Mulheres cheias de histórias e de dias. os dias cheios de Tudo. na carreira de tiro habita o fim. outro nome para recomeço. o muro baliza o muro do corpo, a sede da alma, do pensamento, penso invés. penso. hoje não é dia de sentença, não aqui. na guerra nada se limpa. a mira mira o chão.


A minha pátria é a língua portuguesa.
Bernardo Soares

Saibam que agradeço todos os comentários, de coração...
Por regra não respondo.



 
Autor
Rogério Beça
 
Texto
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