oh, loucura
poeta pensar-se útil
belo, eterno e reluzente!
podia tentar outra coisa
cuidar a terra
como a neve
derreter ao sol
como uma estrela
ter olhos claros
como o luar
saber olhar da janela
ser mais gente
não quero pensar em mais nada
discorro apenas
um tanto de dor sobre a paisagem
com aves imaginárias
a fugir na viagem do tempo
feito de incerteza crua.
fosse antes um animal
de fronte endurecida
um pinheiro irracional
em vez de flor repetida
oh, de que vale a poesia
neste Março entre muros
quem foi que nos fez
prisão, medo, egoísmo
solidão vil agonia
quem poderá prometer-nos
no poema futuro
e poesia?