https://www.poetris.com/
 
Poemas : 

O céu... não é o caminho

 
 


as feridas vão sarar

os ossos quebrados
engessados

os teus sonhos
resgatados dos escombros

os olhos levantados
com a luz dos lampadários

agora…

agora
jazida
no amor
que vou pingar mar

agora…

agora
sê forte
ausente do corpo
que vou ser porto dos braços
no teu acordar




 
Autor
eir
Autor
 
Texto
Data
Leituras
201
Favoritos
2
Licença
Esta obra está protegida pela licença Creative Commons
23 pontos
3
2
2
Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.

Enviado por Tópico
Veit
Publicado: 25/05/2020 21:50  Atualizado: 25/05/2020 21:50
Super Participativo
Usuário desde: 14/12/2019
Localidade:
Mensagens: 107
 Re: O céu... não é o caminho
Maravilhoso!
Abraços

Enviado por Tópico
Margô_T
Publicado: 26/05/2020 11:24  Atualizado: 26/05/2020 11:25
Da casa!
Usuário desde: 27/06/2016
Localidade: Lisboa
Mensagens: 309
 Re: O céu... não é o caminho
Um poema cifrado com uma boa escolha de vocabulário (poético) e com imagens interessantes que guiam o olhar do leitor. Destaco estes dois trechos:

"os ossos quebrados
engessados"

"os teus sonhos
resgatados dos escombros"

Saliento o ritmo e a sonoridade destes trechos. Os Ss em todas as palavras contribuem para um certo mistério sussurrado que dá uma ambiência especial aos trechos. Propositado e/ou intuitivo, o efeito sente-se e agrada.

Enviado por Tópico
Rogério Beça
Publicado: 30/05/2020 05:15  Atualizado: 05/06/2020 08:37
Colaborador
Usuário desde: 06/11/2007
Localidade:
Mensagens: 1865
 Re: O céu... não é o caminho
Gosto de verbos no infinitivo.
"... sarar...", "...pingar...", "...acordar..."
afinal são só 3, pareciam mais.
Mas essa ilusão é forte, quando poucos verbos parecem muitos. Depois há ainda a questão da ordem, o sarar está no primeiro verso, o pingar sensivelmente a meio e o acordar é a última palavra.
Acordar no fim é duro. Engraçado.

Sobre o sarar, acho-lhe imensa graça também porque parece derivar do nome próprio Sara, que tem uma componente bíblica memorável, a mulher que pariu já idosa (salvo o erro), ou deu à luz.

"...os ossos..", "...os sonhos...", "...os olhos...", “...os braços...”
Uma curiosa associação física e metafísica, estando novamente por ordem mas cruzando-se, como numa rima interpolada: ossos com braços, sonhos com olhos.
Há uma ligação de duas palavras que me deixou um sorriso (gosto de sorrir quando leio, quase tanto como rir ou chorar): “...pingar mar...”. É impressão minha ou consigo ler armar? Ping armar.
Pode ser da hora. Armar o amor como é sugerido no poema é muito poético. Como se defende o amor? Atacará? Será imóvel? O que é?
Perguntas é algo mais que gosto em poesia que gosto.

Na transição do ultimo monóstico para a última estrofe há um momento que me capta, a repetição do “...agora...”
Ando farto de escrever sobre o agora. É apenas o tempo que mais gosto e menos tenho. Tenho já algum passado e terei muito futuro, agora, agora...
Mas a separação, feita com tanto cuidado chega a ser assustadora.
Obriga o leitor a parar. No Agora.

Mas acabemos de falar de estruturas e detalhes de menor importância.

O tom do poema é de esperança.
Começa com um acidentado gesso (a aliteração nos SS é gigante) depois de uma “...ferida...” que pode ser o sujeito poético ou um golpe na carne.
Mas com o “...sarar...” marca desse tom. Cura, cicatrização, levante, recomeço, é tudo o que me parece este poema.
Os “...sonhos resgatados...” (bela ideia) continuam até ao fim a missão de enfrentar, ou seja, seguir em frente.

Um dos favoritos é meu e conseguiste arrancar-me um segundo comentário.
Obrigado por me lembrares que há poesia aqui.
Estava a precisar