https://www.poetris.com/
Poemas -> Intervenção : 

Contemplem atentamente o caos

 
Contemplem atentamente o caos
Fumaças e gritarias
Estilhaços pelas ruas
Choro de crianças amedrontadas
E mulheres correndo de um lado para outro
Com suas pernas a mostra
Sangue escorrendo das feridas
E gargalhadas de alguns debochados
Que não estão nem ai para o pavor.

Calem-se! Calem-se!
Gritam uns aos outros
Puxam pelos cabelos
Arrastam pelo chão as indignas da sociedade
Cavalos trotam imponentes
E os corvos voam rente ao chão
Querem encontrar restos de carne
Que os cães abandonaram na sua fuga.

Parem com isso!
Alguém parece gritar em meio aos escombros
Um fedor sobe até às narinas
Embrulha o estômago
E alguns vomitam pelo chão
Enquanto gatos vasculham às latas de lixo
Disputando restos das latas de sardinhas.

Contemplem atentamente o caos
Permaneçam imóveis como sempre fizeram
E deixem os pobres miseráveis
Que se destruam na busca pelos restos de comida
Se não contribuem para a sociedade
Que se tornem os lixos de sempre
Enquanto os patrícios continuam sorrindo
Nos seus altos pedestais
Arrancando o couro dos subjugados!

Poema: Odair José, Poeta Cacerense

 
Autor
Odairjsilva
 
Texto
Data
Leituras
116
Favoritos
0
Licença
Esta obra está protegida pela licença Creative Commons
6 pontos
2
2
0
Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.

Enviado por Tópico
Rogério Beça
Publicado: 25/05/2022 17:18  Atualizado: 25/05/2022 17:18
Colaborador
Usuário desde: 06/11/2007
Localidade:
Mensagens: 2112
 Re: Contemplem atentamente o caos
Balada da Bandeira Branca



Já chega, peço por favor, já basta...
Um povo sombrio que se arrasta,
implora uma pausa sem ironia;
amarra, sem causa, a poesia.

Rendidos a uma força nefasta
de dez para uma ainda casta
que se defendeu como podia,
morrendo, matando, no dia-a-dia.

Já chega! veem de baixo a bandeira
ao alto, sem vento, que se abana,
se humilha, pálida se rende.

Rosa de sangue, de luto se estende,
é a marca do Homem que se dana,
repete, do asno cego, a asneira.


de cheiramázedo