como um besouro quando faltam asas
não há como levantar vôo
fica sempre preso ao chão
sem poder dizer um mísero não
as luzes piscam e apagam
deixando um vão de escuridão
que deixa meus olhos negros
assim como um "vou" deixado para trás
minha couraça é revestida de intimidação
meu rosto, feroz, como o de um leão
que vai andando lentamente em vão
um aperto no coração
destruiu
e aquele arco-íris que você viu?
deglutiu
a minha pobre fonte de cor
eu sei, devia saber
que não dá para ver mágica
porque não existe
mas o que, ao certo, existe para ter?
lágrima
aquele vazio
corre e escorre
abre um caminho (caminhou)
tantos leões enjaulados
será que eles arrancam um dedo?
e o meu corpo?
por que eles só me olham?
Eu acho que não sei quem eu sou, porque não tenho medo de leões, mas tenho medo de palavras muitas e desnecessárias, também de frases longas. Ouço vários grunhidos, mas sinto muitos cheiros. Eu só quero sair daqui. Por favor, me ajuda, é um pedido de socorro. Traga-me para a superfície, não quero continuar nessa cova cheia de pessoas como eu. Elas me incomodam. E eu as acomodo.
É o ferrão quem perturba a abelha.
Por favor. Robôs não ficam comigo, nem leões. Você fica? Você fica, hm? Hein? | Escrito por mim no dia 03/02/2026 em Sete além.