Quando penso na morte,
Volto àquele Alentejo
De searas fartas
E olivais carregados
Que me viram crescer.
A tremer de frio e calor,
Aquele Alentejo
Que me viu descer o rio
Em busca
Dos gordos escudos
Nos forais algarvios.
Vejo os sonhos gigantes
Nos olhos daquela criança,
Lacrados de ambição,
Inocentemente repletos
De irrealidades,
Cheios de ilusão.
Começo a fazer contas
Com o coração
E percebo que existe um sonho
Tão inatingível,
Nunca alcançado.
Gostaria
De ter oferecido um trator
Ao meu avô.
Talvez no céu
Exista aquele
Trator Ferguson
Que vi numa revista.