Sonhei com você, e não era devaneio.
Foi primeiro um desejo inconsciente, rodeado de fantasia e sem razão para explicar.
Um apego tátil, uma conversa longa, construíamos sem conhecer edificação.
Nesse sonho em uma porta entrei e você ficou, nossa vocação de contornar argila virou uma esquina, perdemos o código, a senha expirou.
Sonhei olhando minhas mãos marcadas, modelava o barro com bravura, ficção e criatividade l, e ainda assim me escapava pedaços sem hidratação.
Sonhei suas mãos nas minhas, seu rosto decaído nos meus ombros e sua inclinação. Sonhei seus dedos repousando sob os meus, irrigando-os. Vi a transformação e a natureza flexível molhando nossos membros, a maleabilidade beijando a tradição, à criação densa e maleável , o esforço leve, a formação.
Sonhei que te olhava por dentro, e te chamava pra entrar na minha casa de barro.