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Minha Alma

 
Tags:  o poeta ea solidão  
 
quando eu nasci,
entregaram a minha alma.

ao desprezo de uma mãe,
sobre o descaso de um pai.

eu lembro de coisas
que eu não quero lembrar.
o sofrimento foi a minha primeira dose.

eu viajava em minha solidão,
acordava e dormia na violência.
sonhos eram como policiais
metendo o pé na porta.

eu acordava de joelhos,
com minhas mãos levantadas,
a única oração que eu conheço.

quando eu nasci,
entregaram a minha alma,
sobre o descaso de um pai,
ao desprezo de uma mãe.

o sofrimento foi a minha primeira dose.
eu me lembro apenas de coisas
que eu não quero lembrar.

o sofrimento é a minha única dose.
a violência foi meu parque de diversão.

quando eu nasci,
entregaram a minha alma.
a minha alma.
a minha alma.

foi a minha primeira dose.

meu primeiro crime
foi chorar por ter fome,
pelo frio,
por dormir sujo
com minhas próprias fezes.

o nome que me chamavam
era moleque.
depois me chamavam
de pisante,
sapato,
pivete
e menor.

hoje me chamam
de trinta e três.

quando eu nasci,
entregaram a minha alma,
ao desprezo de uma mãe,
sobre o descaso de um pai.

o sofrimento foi a minha primeira dose.
eu me alimento da dor,
e ela me da
um enorme vazio na alma.

o sofrimento
foi a minha primeira dose.
 
Autor
o poeta ea solidão
 
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