A Praça das Sete Palmeiras
Quando voltei à vida estava na praça, bebendo cachaça com os papudinhos.. Um mês após a fatídica noite, vendi o supermercado a casa e aluguei um quarto nas kitinettes de Lourival. Seis meses depois, fui despejado por falta de pagamento. Então, sem dinheiro, fui morar na praça com eles. Dormíamos, na puxada do bar da esposa do Sr. Carrinho Cotia. Éramos quatro companheiros de miséria. Depois mudamos para um coreto no meio da praça,. De manhã cedo , fazíamos nossas necessidades e banhávamos no banheiro do mercado, antes que os feirantes chegassem . Às vezes fazíamos pequeno trabalho: lavavamos um carro ou moto, ajudava um pedreiro, carregava compras e outros. Todo o dinheiro que ganhávamos era usado para comprar garrafas de cachaça e crack. Nessa época que comecei a fumar diamba. Quando não tínhamos dinheiro e nada para vender, mendigávamos das pessoas que passavam. O bandeco vinha dos PMs que tiravam serviço no trailler da praça. Eles não gostavam achavam horrível. O que me fez sair do lugar, foi uma briga entre dois companheiros Gil armado com um pedaço de pau desafiava Chico, este ágil como um gato, apunhalou-o no peito. Gil que caiu na cadeira de plástico de um vendedor de CD e DVD pirateado e interviram gritando para Chico: -“ Não o mate!” Gil levantou-se cambaleando com a mão no peito e correu para camburão da PM estacionado no outro lado da praça. Chico imediatamente fugiu na direção oposta. A polícia levou Gil ao hospital. Foi uma cena muito triste. A partir daí, o lugar virou um inferno. Era briga e discursões todos os dias. Uma manhã, muito cedo, vinha do banheiro, quando ouvi a vendedora de de café da esquina do mercado conversando com um homem bem vestido com um chapéu na cabeça e um dente de ouro reclamava em voz alta: - “Estou à procura de homens para trabalhar carvoaria no Pará. Mas é muito difícil de encontrar”.Encostei-me: - “”Ola senhor” - disse um pouco timido – “O senhor está procurando homens para trabalhar em uma carvoaria?” "Sim, senhor", afirmou , olhando-me com desconfiança. O dente dourado brilhou no canto da boca. – “Mas aqui ninguém quer, preferem passar o dia bebendo cachaça e fumando drogas, em vez de trabalhar”. "Eu quero trabalhar, senhor", - “Você quer trabalhar?” Indagou-me surpreso, um sorriso nos lábios. a cafezeira olhou-me espantada. – “Sim senhor. Não tenho nada para fazer aqui e já trabalhei em caieira quando eu era pequeno”. "Muito bom", concordou, aparentemente encantado com a minha resposta: "Qual é o seu nome?”- "Meu nome é Joseph, senhor. – “E você não tem família?” – “Não, senhor, não tenho família”. – “Muito bom. Meu nome é Jorge ", disse estendendo a mão, “Amanhã às oito horas aqui na praça, ok? " – “Sim, senhor” Trocamos um aperto de mão. Mas escutei a cafezeira falando em voz baixa: "Este é um patife, um bêbado, já teve uma boa vida, tinha uma mercearia aqui no mercado, mas sua esposa fugiu com outro. Então vendeu tudo, e agora vive na praça com os outros bêbados." Quando disse aos meus colegas que viajaria para o Pará trabalhar numa carvoaria todos riram de mim.
XXIX
Na carvoaria
No dia seguinte esperava-o. Do outro lado da avenida, em frente ao canto do mercado, a cafezeira mirava-me assombrada . Uma mochila suja, presente do meu colega Jailton Pè de Pato, que achara na lixeira na rua 16. O Sr. Jamanta deu-me algumas calças e camisas que ganhara de um amigo. Por volta das sete horas, uma Kombi estacionou e o chefe desceu com o chapéu na mão e abriu a porta dos fundos. "Bom dia, Sr. Joseph", cumprimentou-me, parando na porta, parecendo feliz. Levantei-me do banco e disse: "Pensei que não viesse”.Entrei, havia três homens. Olhei para o coreto, meus companheiros ainda dormiam. Pensei - "Adeus, meus irmãos" O Chefe fechou a porta e sentou-se ao lado do motorista e partimos . A viagem durou dois dias. O carro quebrava muitas vezes. Uma hora depois da nossa partida, um pneu furou, depois um problema no motor. O chefe estava muito irritado. Chegamos de noite, chovia muito. O carvoaria ficava no interior de Tucurui, no Pará, bem no meio da grande floresta amazônica. Tinha vários fornos feitos de um tijolo especial que queimava as sobras de madeira dia e noite que os caminhões traziam das serrarias próximas. Passava o dia inteiro a arrumando as toras no forno e ganhava 20 reais por dia. O trabalho era pesado com muita fumaça, andávamos sujos cobertos de fuligem. Nós éramos vinte homens de vários estados do Brasil, morávamos em uma grande tenda coberta de lona, onde dormíamos em redes. A comida era muito ruim (sempre carne salgada servida com farinha de mandioca) quem chegava atrasado ficava com fome. Durante o dia era muito quente e a noite muito fria. Deitávamos cedo, depois de uma simples ceia feita de farinha e peixe assado. Os mosquitos pululavam, durante a noite, ouvíamos rugidos de animais selvagens na floresta e o som do vento chicoteando os galhos das árvores altas. Nos sábados à tarde, meus colegas iam para a cidade, beber cerveja e fazer amor com as jovens putas dos cabarés. Às vezes, brigavam entre si por causa delas; Os homens eram numerosos e havia poucas garotas. Ficava sozinho na carvoaria, adorava, sem ninguém para perturbar, apenas os ventos e os animais. Um domingo de manhã, vi um casal de onça brincando na areia do outro lado do rio Xingu. Aproveitava esses domingos para caminhar na floresta, observar as aves e macacos pulando de um ramo para outro. Dormia ouvindo as músicas da floresta, uma autêntica sinfonia. Mas quando meus colegas voltavam no domingo à noite, a paz acabava. Foram seis meses de muito trabalho e recebia apenas metade do meu salário, então perguntei ao encarregado por quê? Ele respondeu que descontava os alimentos e ferramentas. Um dia fiquei doente com diarreia grave, passei uma semana deitada na rede. Às vezes, não tinha tempo para entrar no mato, mesmo apertando as nádegas e as fezes pingava nas pernas. Não comia nada, pensei que ia morrer. Um colega chamado Anastacio me fez beber um chá para me hidratar ... Minha saúde melhorou um pouco. Mas estava muito fraco para trabalhar. Então, encarregado fez as contas me pagou e me dispensou. Coloquei as poucas coisas que tinha na mochila e fui a pé para Tucurui pegar um ônibus para a cidade de Marabá e de lá um trem para São Luis . Cheguei à cidade às nove da manhã e o ônibus partia à meia-noite. Decidi passear pelas ruas. Por má sorte, entrei em um cabaré e comecei a beber cerveja. Uma puta sentou na minha mesa. convidou para segui-la até o quarto dela para fazermos amor. Fiquei muito animado e depois de beber a quinta garrafa de cerveja, apaguei completamente. Quando acordei, estava deitado na calçada da porta do cabaré e passava da meia-noite. Procurei meu dinheiro no bolso, mas não restava mais nada. A puta me drogou e roubou tudo.