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Segunda, 09/02/2026

 
Segunda-feira, 03
Despertei com uma voz conhecida chamando-me do terraço, levantei-me de supetão da rede e de imediato abrir uma banda da janela. Era o mestre Bardaux. Combinamos ontem de nos encontrarmos na oficina, as seis e meia, onde pretendia confeccionar umas argolas. E já eram sete e uns quebrados, o tempo nublado e um pouco frio me tirou a noção do tempo. Peguei o chaveiro sobre a cômoda e entreguei-lhe e prometendo-lhe que iria depois.
Foi uma madrugada muito fria, que me obrigou a apanhar na última gaveta da cômoda um lençol limpo para enrolar-me e assim amenizar a friagem que me afligia perversamente – e era somente 23 graus positivos e eu quase batendo o queixo. Um frio exorbitante para quem não estar habituado e morando quase perto da linha do equador. Nem banhei, apenas abluir-me levemente e ainda sonolento sai, depois das minhas obrigações religiosas.
Quinze minuto depois chegava ao atelier, após apanhar os pães na padaria da praça das sete palmeiras, de prosear um pouco com o venerável mestre Jorlene, vulgo Jojó ou Skidin no meio da ladeira em frente ao prédio de sua quitinete. Mestre Bardaux terminava sua tarefa.
Depois de envergar a minha fétida farda de trabalho, sentei-me para ler a as últimas páginas de “Pela mão de um anjo” de Dominique Fernandez – interrompi para ouvir Dezão vindo do café matinal do Restaurante Popular ouvindo os comentários depreciativo de Bá, um fulero que adora falar, mal da vida dos outros, chegar até inventar. Após a sua saída fui apanhar o café no Little Fats e encafuei-me novamente na leitura da biografia ficcional de Pasolini.
As dez horas: - Fecha ai e vamos numa missão – ordenou o mestre Juvan de dentro do seu bolido.
Mudei de roupa, arriei cuidadosamente a porta e passei os dois cadeados e embarquei rumo ao desconhecido. Para minha alegria fomos ao terminal Marítimo da Ponta da Madeira no Itaqui apanhar uma encomenda que mandaram de Cedral . Foi lá, enquanto o esperava que conclui tristemente o livro com a morte trágica de Pier Paolo Pasolini – o grande diretor de “Evangelho Segundo Mateus”, “Decamerão” e outros, também foi um grande escritor com mais de vinte livros publicados. De volta a base, fiquei no mercado e fui ferrar uns trocados no meu compadre. O comandante Lasierra não se encontrava, a taberna fechada. Ao meio dia e uns quebrados rumei para a pensão – banhei-me no quintal e almocei um bom escabeche de Traíra e bodei. Recomecei a ler “Os Contos de Manhattan” de Auschinloss.

 
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efemero25
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