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Ainda na quinta -19/02/2026

 
Ainda na mesma manhã de quinta-feira no corredor frio do Posto de Saude da Vila Embratel – a espera pacientemente ser atendido, depois dos tramites burocráticos – A confirmação da consulta no balcão da recepção. Direcionaram-me para a sala de triagem, onde uma apática atendente, pesou-me 58kg, mediu-me a altura – 1.63m e a pressão 12x08 e rumei para o corredor dos consultórios e aguardar a minha vez. Todas as cadeiras ocupadas, crianças correndo em algazarra, os cochichos das vovozinhas em conversas triviais.
- Ela é sua neta? Perguntou alguém para uma senhora que tentava conter a irrequieta menina.
- Não, ela é a minha bisneta – respondeu laconicamente, sentando-a ao seu lado.
E um oh! De surpresa correu no corredor.
O poeta alheio aquela dinâmica tão peculiar nos corredores ambulatórias da vida, concentrava-se na releitura do naufrago e solitário Crusoé recém chegado a ilha perdida no meio do Caribe, depois que saiu do Brasil para ir buscar escravos na África.
Ora e outra uma porta se abria e saia alguém que chamava o nome do próximo e assim a fila andava. E aos poucos o corredor e cadeiras esvaziavas lentamente.
- Quem é o idoso que quer pipoca? – perguntou uma das medicas, depois de distribuir os sacos entre os guris alvoraçados.
Sr. Poeta não se intimidou e deixando a vergonha de lado, levantou o dedo. E a gentil medica aproximou-se e deu-lhe o ultimo saco. Che meraviglio! Um casal jovem e sua bebezinha de colo. Uma morena de mascara e silenciosa acompanhada pela mãe entraram no gabinete da doutora a mesma que vai me consultar ou melhor analisar os meus exames que o urologista pediu e a clínica dos idosos ainda não agendou o retorno e nem sei quando será. E o tempo urge e os exames podem perderem a validade.
- Larissa? – grita a jovem medica da porta de gabinete.
- Ela foi ao banheiro – respondeu a agente de saúde..
A doutorazinha para não perder tempo chamou a outra paciente uma senhora.
Dona Larissa volta do banheiro e sua filhota. Como alguns grãos da pipoca insossa e mal frita, levanto-me para ir ao banheiro.. Nele lembro-me do filme “Em busca da felicidade” com Will Smith dormindo com o filho no banheiro do metrô.
- Um bom lugar para dormir – pensou enquanto urinava no sanitário.
De volta ao corredor quase vazio – apenas dona Larissa e a filhota, a agente de saúde e o poeta – e o frio do ar condicionado.
E Crusoé adoeceu com uma febre intermitente que o deixou prostado por alguns dias. Finalmente Dona Larissa Gabrielle entra no consultorio com a filhota. Outra doutorazinha branquinha e bem apetitosa sai e fecha a porta – duas medicas trancam-se na sala do fundo – enfim estou só e sem nenhum pudor levanto uma banda da bunda da cadeira e solto um sonoro pum.
- Tá aguardando a Beatriz? – pergunta-me outra jovem medica indo para a sala onde os médicos se reúnem.
Uma bela que conheço ela e o marido antes de se casarem recolhe as cadeiras de plástico e as amontoas umas sobre as outras. Ela finge que não me conhece e eu também fico na minha.
Tarde – Na parada fo Parque do Bom menino, na avenida Alexandre de Moura, aguardando um 314-Vila Embratel e retornar a base. Uma viagem debalde – o meu acompanhante, o Dr. J não estava no Centro.
- Só amanhã – respondeu o recepcionista por trás da grade fechada – Dr. J. somente amanhã o dia todo – completou digitando sem tirar os olhos do monitor.
Ok, baby – caminho feito por onde veio.
A doutorzinha Beatrice (em homenagem a musa florentina do poeta Dante, autor da Divina Comedia) atendeu-me atenciosamente bem, decifrou os exames e aliviou-me – a próstata inchada, mas é normal e receitou um remédio para controla-la.
Ganhei o meu dia, mesmo com a mare seca e a lama exposta nos rios Anil e Bacanga, contemplo quase que magicamente da janela do ônibus em movimento na beira-mar, dois gigantões entrando na barra do Porto do Itaqui, atravessando longinquamente o canal da baia de São Marco. Entrei em estado de graça e viajei na maionese – “Será que um desses que vai realizar o sonho do meu ambicioso projeto literário que meu amigo Hall esboçou. Uma viagem de ida e vinda ao Porto de Roterdam na rota do minério em 90 dias. É muito sonho.... poeta – mas não custa nada tentar, segue os conselhos de Hall.




 
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efemero25
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