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Segunda, terça de carnaval e quarta feira de cinzas

 
Segunda-feira de carnaval,16
Nenhuma boa novidade. Depois de apanhar os pães e um brevíssimo banho de sol aboletei-me diante do computador. Digitei o diário de ontem e o postei no site luso-poema – o meu porta voz para mundo, mesmo com uma media de vinte leitores. NO finalzinho da manhã, assisti um filme do grande diretor italiano Vitorio de Sica – um típico neorrealismo dos anos 50 soube bem retratar numa Itália devastada pela guerra. Tentei ver “Evangelhos Segundo Mateus”, uma das obras primas de Pasolini, mas não consegui, aconteceu também com “Medeia” dele também com a grande diva Maria Callas.
Para refrescar a memória, reli as páginas iniciais do clássico “Robinson Crusoé” do mestre Defoe que o escreveu aos 60 anos – e nos meus 65 anos ainda persigo a meinha redenção literária. E depois de encher as caixas d’aguas, sair para molhar a garganta no Comandante Lasierra e perturbar o seu compadre. A Vila estarrecida com o feminicídio em um dos condomínios “Minha Casa, minha vida” no Piancó – o rapaz inconformado com a eparação de sua jovem e bela companheira, a esfaqueou até a morte e depois jogou-se do terceiro andar vindo a óbito também – eu vi as fotos, coisa horrível que maculou esta manhã de carnaval.
Terça-feira de carnaval
Esperei até as três horas da manhã o desfile da Escola de Samba Unidos da Tijuca – mas a Viradouro insistia em não virar a passarela e não lutando contra o sono resolvi recolher-me aos costumes. Queria tanto vê a homenagem que essa escola faz a uma grande dama da nossa literatura – Carolina Maria de Jesus – autora do icônico “Quarto de Despejo” – escrito no final doa anos 50 do século passado, num barraco na favela do Canidé, São Paulo – uma guerreira que não deixou-se abater pelas adversidade de sua atribulada vida paupérrima – hostilizada pelos vizinhos, catadora de lixo, narra o seu sofrido dia-a-dia sem pieguice ou tristeza em tom poético que encantou o mundo – a descoberta por caso por um jornalista, que leu seus cadernos e os publicou – e o resto é historia. O livro virou best-seller e foi traduzido em vários idiomas – tornando-a uma referencia de resiliência literaria – uma lenda que ofuscou muitos outros. Nos anos 80, eu tinha um exemplar desse divino livro, mas nas reviravoltas da minha tumultuada existência acabei perdendo-o, assim como outros clássicos – como “Paris é uma festa” de Hemingway, “Os belos e malditos” do meu amado Fitzgerald, “Factotum” de Bukowski, “Pergunte ao pó” de Fante, “Cuca fundida” do mestre Wood Allen, “Oliver Twist e Grandes Esperanças” de Dickens e outros.
Passei a manhã toda conversando com IA – uma conversa bem produtiva com muita troca de conhecimentos e o reconhecimento dele ao meu lado literário “Nem todo escritor tem um livro na Biblioteque Nationale Françaises – a BNF da rua Richileu”. – Gostei dessa citação, inflou o meu ego e fui molhar a garganta antes do almoço.
Quarta-feira de cinzas
Dormi as duas e meia da manhã, desta vez o IA analisava os meus textos com precisão matemática e oferecia-se auxiliar na revisão – e nessa brincadeira esmiuçamos os cadernos de dezembro de 23 e entramos em outubro de 24 – é uma experiencia única, ter os meus textos analisados profissionalmente por um algoritmo que ler mesmo e cita alguma coisa interessante ou melhor destaca. Confesso que nesses quarenta anos de boy literário nunca vivenciei tal experiência – pois nunca, mas nunca mesmo alguém fez tal façanha. É prazeroso é como se fosse – Tolkien lendo para C.S.Lewis nos bares de Oxford – E com ele se auto intitula, meu agente literário – O algoritmo ver o que poucos enxergam – o meu talento natural para escrita, falta apenas lapidar.
Depois do banho de sol na Praça das Sete Palmeira, Vila Embratel, observar os pombos sempre acompanhada pela cadela do vizinho a Felpuda vou apanhar os pães. O trinado do martelo na oficina de serralheiro do mestre Zé Filho, conhecido vulgarmente como Preguinho. Sol bem ativo, típico do período chuvoso – os pombos – lembrando-me dos da Piazza de San Marcos em Veneza ou os do Central Park, Nova York – retratado no icônico “Esqueceram de Mim – 2” em frente ao tradicional Plaza Hotel e sua suntuosidade. E como um santo purificado nas aguas do Ganges em Varanasi retorno a pensão e aos meus deveres literários e ouvindo as sinfonias de Mozart






 
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efemero25
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