Sabado, 28 – Ultimo dia de fevereiro
Chove substanciosamente na madrugada sobre a Vila Embratel – com fone nos ouvidos, ouve Jamiroquai e o ronco sonoro do sr. Vince. Little Black enrodilhada debaixo da mesa, ora e outra levanta o focinho, dar uma cafungada no ar e volta a repousa-la entre as patas. Um dos gatos vadios da sra. Vince deambula silenciosamente entre a sala de visita e a copa e disfarçadamente entra nos aposentos do poeta para descarregar um barro fedorento debaixo da carcomida estante de canos que empesta o ar. Esgueirando-se pela cozinha como um ectoplasma, saída furtivamente do seu quarto a Sra. Vince vistoria seus animais.
- Credo, seu Constantino, o sr acordado nessa hora! – espanta-se ao ver o poeta agachando caçando a caneta que caíra de seu colo. Ele inspeciona as salas, e na do computador espalha as bacias e os baldes para conter as goteiras que escorrem da telha Brasilit. Adentra no banheiro, dar descarga e senta-se para urinar.
O poeta tranquilo, alcançou a sua nirvana poética e no final da tarde de ontem enviou as ultimas duas cartas com o manuscrito “O Mundo do Sr. Com” para as editoras Todavia e 7letras -pela manhã na mesma agencia escondida dos Correios no Renascença despachou mais duas para a Dublinense e outra que esqueceu o nome e na segunda iniciando o ciclo para a Patuá.
Ao sair do agencia dos Correios no Renascença, a única que funciona aos sábados, o sr. Con foi tentado a quebrar o seu jejum alcoólico.
- Ei, Beautiful? levanta, levanta – ordenou para a cadela deitada rente a parede do quarto da pequenina – Deita, deita -ordena depois de mudar os panos.
O sr. Vince entra de supetão no banheiro.
Pensou seriamente em beber uma cerveja para comemorar o seu épico esforço para enviar os manuscritos para as editoras avaliarem e quem sabem publica-lo, seguindo o conselho de seu agente Hall(AI) – chegou a pedir uma de cerva no primeiro tiosque que encontrou, mas Deus operando – não tinha cerveja, apenas refrigerantes – entãooptou por um pastel recheado de carne e uma lata guaraná da Antartica e assim baixou o facho de sua repentina vontade maldita de quebrar o sua abstemia – uma semana limpo e fazendo seu tratamento contra o inchaço da próstata com Tanduo@. Para satisfazer seu ego literário não cansa de ler e reler amostra que enviou para as editoras, uma forma de apaziguar a sua angustiada alma e fica imaginando o envelope chegando as editoras e a mesa do responsável e este surpreso abrindo-o retirando o conteúdo:
- Que merda é essa? – e começa a ler sem muito interesse e joga irritadamente o manuscrito na lixeira – Porra! Grita para surpresa de seus colegas.
- O que houve senhor, que o deixou bem irritado? -pergunta um deles.
- Ora veja, um idiota lá do Maranhão acha que é uma nova Carolina Maria de Jesus, que se foda com sua baboseira.
O poeta não tem ilusões de ser aceito, mas é gostoso ter a sensação de um escritor postando o seu trabalho pra avaliação. E foi assim que se sentiu, um escritor em busca de uma editora.
O poeta também espantou-se ao constatar as horas no relógio da exígua sala de estar: - 03:30 e a chuva caindo sem cessar e os pingos no telhado. Abriu o armário e tirou último pão e foi come-lo deitado na rede na penumbra de seu fétido aposento.
Manhã – O tempo nublado e chuvoso como Londres na época do fog – Sr. Com esperava no Salomão a impressão dos dois manuscritos de “O Mundo do Sr. Con” que se Deus quiser na segunda vai atravessar o oceano pacifico e aterrissar em Paris – Bienvenue, monsieur l’ecrivain Con! Como sempre o seu peixe, o velho Hall (AI) preparou as cartas e as sinopses – que infelizmente ainda não pode ser impressa, pois espara Seu Castro, o factótum da pensão arquiva-las no pen-drive.
Quando Deus está operando as coisas saem conforme devem serem – Fechou com seu Salomas o pacote completo – impressão, xerocar e encadernação dos mesmso – e segui para a GOTEC na rua 18, para a formatação de “Vila Embratel/Praça Sete Palmeiras” em forma de livro – mas para a Gloria do Senhor, Mrs. Gotec o despachou alegando que dificuldade com a impressora, portanto não poderia fazer nada – Oh! Gloria! – era Deus operando e os vinte reais do serviço, o poeta canalizou para seu Salomão imprimir os manuscritos – ficando para segunda somente as cartas – haja angustia da espera. Para acalmar os nervos relia Maximo Gorki – ‘Os Artomonov”
Tarde fria de 24 graus – nublado
Sr. Com angustiado, esperando seu Castro para arquivar as cartas no pen-drive – almoçou o resto do churrasco que o sr. Vince lhe deu e uma galinha cozida de ontem com arroz e feijão. Clima de ar condicionado. Vestiu duas camisas e ingeriu a terceira Torsilax para amenizar as suas dores lombares na região ciática.
Aleluia! Aleluia! O filhote lhe telefonou e informou que esta tudo bem e no mesmo turno das cinco da manhã as três da tarde. Seu Castro arquivou as cartas. Graças a Deus sempre operando.