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Saturday night e Sunday morning

 
Saturday night
- Não compre agora. Deixe para comprar depois do dia das mães. Quando os preços baixarem. – Opinou o sempre sábio genro.
A sra Vince quer comprar um celular – atual deu tilt.
No meio da tarde, o odor do mocotó e da linguiça cozinhando na panela de pressão, empesteava saborosamente a pensão e era primeira fervura. Sr. Com deu uma boa barrigada lendo o “Retrato do artista quando jovem” lembrando aquela cena escatológica de Leopold Bloom em “Ulisses” do mesmo autor, o genial James Joyce.
Uma parenta de Seu Marciobomba veio morar com ele, vizinho do lado – ela foi vítima de um golpe, arranjou um caboco pela internet e o sabidão veio e passou a perna nela, vendendo todos seus bens. Oh! Coitada – mas segundo a sra. Vince essa união mão vai demorar muito – ele é muito complicado.
Manhã ensolarada de domingo, 12 de abril de 2026
Um cheiro de carne assando inundava a praça das sete palmeiras, Vila Embratel. Junior C.R, o xerife da área lavava uma moto atrás da casa da bomba e aproveitou para dar uma tímida volta nela no meio do terreiro. Seu Fan-Fan todo cheiroso e compenetrado a caminho da padaria – são mais de oito horas – o poeta lavou seus andrajos antes das sete. -Sr. Com apura o olfato e tenta descobri de onde vem o cheiro embriagador de churrasco. Um doidinho empurrando aqueles carrinho de supermercado de quatro rodinhas, com umas garrafas e um latas para bruscamente e corre para a torneira no meio do canteiro.
- Bom dia! – diz fanhosamente o Seu Fan-Fan, fazendo o sinal de positivo e deixando um rastro perfumado, trazendo sua sacola com pães.
O som do carro de som do palhaço Micharia dobrando a 17 ao som de uma lambada. O doidinho estaciona mais em frente e come uns pães caminhando, dando a volta por trás da arquibancada e os pombos ao vê-lo aproximando com seus passos típicos alçam võo. A comadre da banca de roupas usadas varre ao redor do carro, debaixo do toldo do box de seu Carrinho Cotia – O Doidinho empurrando o carrinho contorna o terreiro, nele uma antena ‘pizza’ que achou pras bandas da quadra coberta e desaparecendo na Avenida Sarney Filho, dobrando no canto do Frigo Lucio, do outro lado a poderosa Fribal ambas na entrada da rua de 16 – um pouco mais embaixo, em frente a casa de finado seu Eriberto, a banca de madeira de Seu Evaristo, o senhor dos porcos, lastrado com sua belas peças frescas do porquinho abatido no fundo de sua residência no Paraiso – do outro lado a sombra o ajudante motense o observa pronto para qualquer eventualidade.
Em 1965, a CIA perdera o vestígio do mestre Guevara, o inimigo público do capitalismo – vários rumores e boatos foram aventados pela própria agencia, que estava temerosa com seu repentino sumiço. E enviaram ordem expressa para todas asa ‘agencias’ na América do Sul, ficarem em alerta – O Dom Quixote do comunismo.
E de repente o clima mudou – o céu antes azul, agora coberto de nuvens que amenizou o calor – as comadres fofocando atrás do banco do poeta. Um bebê se esgoela alhures nas imediações do mercado. O comercial Vila do comandante Lasierra fechado e o fulero do Charmille aproveita para colocar suas mesas e cadeiras na calçada em frente. A coroa loura da rua 25 – Um cão espremendo-se todo para derrubar um barro na borda do canteiro e depois sai disfarçando farejando a grama rala.
- Fribal aqui na Vila Embratel, de loja nova – anuncia um carro de som. O ônibus para na parada em frente ao mercado, debaixo da frondosa mangueira coberta de tem-tem – Casa dos bolos, altamente recomendada..
O sol eclipsado pelas nuvens, desaparece atrás das nuvens.
O encontro casual com My Friend e sua mau humorada mãe que ficou a uma boa distancia chamndo-o.
- Aquela é a minha princesa. E ai, poeta como vai, tudo bem? – perguntou o pixixitinho com um novo ar, o odor ocre dos excrementos das vacas bafejara suas narinas. A mãezinha dele impaciente o chamava gesticulando nervosamente – Poeta, depois a agente conversa – e rumou em direção a sua genitora também baixinha.
My Friend ou Zé Branquinho ou melhor Tá Maguinho do conto que o poeta escreveu – um persona singular, apesar de seus mais de trinta anos, mas ainda mantém o rosto infantil.
“Curta a vida que é só uma” - grafitaram na meia arquibancada que contorna o palco – “Proibido Maconha” também.
De volta a pensão, constata que chegara tarde, o Seu Castro o factótum já está no posto diante do computador que monopolizará até a tarde toda. Sr. Com recolhe-se aos seus aposentos, depois de beber o café com os pães que pegara na padaria Renascer – ingeriu um comprimido de Dipirona@ monoidratada com um café guevariano (sem açúcar) e deitou-se na rede com o livro do ex-agente da CIA – e embalando-se começou a rêle-lo. Nos aposentos reais do casal, o sr. Vince assistia um documentário sobre os últimos horas de Hitler em abril de 1945 em seu bunker.
Uma pausa para levantar-se e esticar as pernas e movimentar a mão esquerda dormente, o sr. Com sentou-se de frente para a janela e visualizar o terraço e a rua – um taxi branco estacionado a porta do vizinho.
- Cheiro verde, tá três reais – reclama o Mano Vince para a cunhada – E ai o frigorifico novo tá vendendo barato mesmo?
Um chuvisco faz o poeta correr para o quintal, tirar as duas camisas do varal e pendura-los dentro do seu quarto. Meia hora depois levou uma delas para estender novamente no quintal, assim que o sol reapareceu todo radiante – nesse interim o poeta tomou uma segunda pílula de Dipirona@ com café – no final da manhã concluiu “O Julgamento de Nuremberg” de Leio Kahn
- E ai, so senhor tá só estudando? – ironizou Juvan atrás da mureta do terraço ao vê-lo deitado com o exemplar de Balzac nas mãos. O poeta levantou-se foi ter com ele – tem um serviço, os ferros já foram até comprados.
Antes das uma tarde, o poeta serviu-se abeira do fogão: arroz, macarrão, feijão, o suculento mocotó com todos ingredientes e um copo de vinho pra quebrar a gordura e uma torta de carne moída e foi degusta-los na paz de seus aposentos. Muito antes voltara ao mundo da Comedia Humana do mestre Balzaz em “Esplendores e Misérias das Cortesãs” na Paris de 1824.
A namorada de seu Castro e os filhos vieram almoçar, só assim ele debandou do computador, dando oportunidade para o poeta digitar seus textos – para acompanha-lo o bom Mozart e a serenade 9.

 
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efemero25
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