Quinta-feira, 19
Ultrapassei os limites etílicos e fiquei muito ruim ontem a tarde toda. Nem digitei nada. Uma nulidade completa e nem jantei.
Um carro da Equatorial estacionado em frente a quitanda de Pai Cardin. Marquinho moscou um pouco com suas historias passadas – vitima de um acidente, caiu de uma arvore e rachou o crânio, entrou em coma e ficou um pouco débil. Teve hanseníase, passou por varias situações vexatórias. Ultimamente vive perambulando, fazendo mandados, coletando mangas e estrumes – os pés e os mocotós inchados, passou um tempo sem andar –
- Meu bem! – gritou do meio da calçada Dona Iva, espantando e tirando a concentração do poeta que relia Kafka no seu labiríntico “Processo” contra K num improvisado tribunal dentro de um pardieiro. Ele levantou os olhos e lançou-lhe um olhar nada amigável e encafuou-se novamente nas páginas do soberbo livro, que com certeza levaria para uma ilha deserta junto com Joyce, Hemingway, Dostoievski, Faulkner e todos os livros de sua humilde biblioteca de mais de trezentos livros – a do mestre italiano Umberto Eco tinha mais de trinta mil.
- Meditando nas palavras – gritou Marquinho vindo de um corre, deixar um saco com palhas de milho na casa de um de seus patrões.
Clay e suas teorias das conspirações, desconfia dos carros da Equatorial, suspeita que são do serviço velado – teimou com o poeta que Inri Cristo é Santo Amaro, aqui do Maranhão- Haja falta de conhecimento, teimou que um pastor que disse – Poeta que assistira um documentário sobre a vida desse “messiânico” – Clay, o homem nasceu em Santa Catarina, perto de Blumenau – Não, o pastor falou que foi em Santo Amaro.
O resgate do periquito fujão de Dona Neide com a asa quebrada.
Não teve o caldo de ovos e o comandante optou por um churrasco. E o poeta encharcou-se novamente.
Terminou “Pais e filhos” do mestre Turguêniev e de repente teve vontade de reler J.M.Simmel, mas não encontrou o livro desejado então pegou “Memoires Intimes de Napoleon I par Constant son valet de chambre” – para desenferrujar o meu francês macarrônico – houve um tempo que só escrevia nesse idioma e postava em vários sites daquele pais – então uma amiga leu e gostou e mandou para a Edilivre, Paris – e assim publicou “Le Cahier Rouge du Pere Joseph” com um exemplar na conceituada Biblioteque Nationales Françaises (BNF) na rue do Richelieu.