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| Alemtagus | Publicado: 13/04/2026 19:10 Atualizado: 13/04/2026 19:10 |
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Moderador
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Localidade: Montemor-o-Novo
Mensagens: 4174
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Quantas vezes o silêncio diz tanto
E o orgulho fere a gente de morte Dia sim ou não, talvez seja assim Pinta céus de estrelas num pranto Preg'as mãos na cruz em cor forte E canta esse teu fado só para mim Quantas vezes o silêncio é distante Se contorce pelas avulsas palavras Parte sem volta e esquece sem dor Desse calor a esfriar num instante Dessa terra que docemente lavras E semeias quando gritas por amor Quantas vezes o silêncio foi fome Das tuas mãos ali olhos nos olhos No chamego destas, saltimbancas No breve aperto que lhe consome As horas gastas de tempos velhos Fazem negras duas almas brancas |
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| klopes | Publicado: 13/04/2026 20:15 Atualizado: 13/04/2026 20:15 |
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Muito Participativo
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Mensagens: 61
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Rubel- "O Velho e o Mar"
Faina Nós de dedos gastos, grossos como raízes que a areia não prende. O sal morde a bacia — lateja, ferro frio, no fundo das costas. Tanto peso. Tanto. Ali, onde o azul se faz abismo e muro, o sopro veio de feição — empurrando a sorte. É o balanço, mas o corpo já não tem prumo que o sustente, mesmo aqui, mesmo firme, no que não mexe. O que o sopro trouxe, a boca mastigou: pão amargo, arrancado aos dentes da espuma. Um homem não envelhece — endurece, apenas, couro curtido pelo que fustiga. As juntas chiam, chiam, como roldanas de outrora: falta o óleo — sobra o desgaste. A marinhagem agora é interna, maré contra maré, subindo, surda, na mente. Olho as mãos: escamas de pele, sulcos de quem puxou o mundo para terra e ficou — só — com o frio. Amanhã, o horizonte voltará a ser dono, e eu, entre a duna e o abismo, esmagado, medirei a distância entre o que fui e o silêncio — que range. Carlos Lopes |
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| AlexandreCosta | Publicado: 13/04/2026 23:39 Atualizado: 13/04/2026 23:41 |
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Administrador
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"A Despedida: A Maçã de Adão" - Aldina Duarte
(A)Trevo são três partes que te encomendo três folhas de um pé, amassadas três cabeças-cobra atiçadas de má sorte, azar sem remendo hás-de ir ao chão, por um de quatro entre as urtigas, mas descrendo na contrição terás, sofrendo a maçã podre, o fim mais atro inútil será o innuendo ou paga oposta, bruxaria a quem da morte já sabia: eu... que aos poucos fui morrendo 14-04-2026 |
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| Benjamin Pó | Publicado: 14/04/2026 16:32 Atualizado: 14/04/2026 16:32 |
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Administrador
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um velho a armar não sonha com leões na praia nem com espadartes no veleiro talvez se distraia com explosões estandartes e um mealheiro que arremessa como criança que se cansa depressa do novo brinquedo conto-vos um segredo é possível que no seu jacuzzi de combustível use e abuse da cobardia alheia esquecendo que o fogo que agora ateia e finge que não vê atingirá o patinho de pvc e a sua mão esticada como ave romana e a grandeza que agora emana será punho cheio de nada (inspirado em "O Velho e o Mar", de Rubel) |
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| Alpha | Publicado: 14/04/2026 17:26 Atualizado: 14/04/2026 17:26 |
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Membro de honra
Usuário desde: 14/04/2015
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A carta que te deixo
A carta que te deixo nasce no fim do silêncio dobrada em noites longas onde ainda eras casa. Escrevo devagar como quem se despede de um lugar que amou mais do que devia Entre o que fomos e o que já não somos fica este espaço suspenso onde a vida se esfumou Levo comigo o que fomos em gestos que o tempo não soube apagar nem ensinar a ficar E deixo-te em cada linha um adeus sem regresso como quem fecha a porta sem a voltar a abrir! |
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| AlexandreCosta | Publicado: 15/04/2026 11:56 Atualizado: 15/04/2026 15:49 |
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"O Velho e O Mar" - Rubel
Setenta e sete toneladas Já não me lembro ao certo de quando acordei sei que foi algures onde a cegueira era um mamute ancestral em frente a mim e eu tão pequeno fora dos olhos tinha comido um patagotitã mesmo, mesmo ainda antes de nascer setenta e sete toneladas, dizem eu acho que eram mais nem sei se alguma vez haverá balança capaz de ponderar o real peso queria tanto desfazer-me dele libertar tanto excesso sem nexo mas isso por si só não interessa, de todo importa lembrar o outro o tiranossauro rex que nasceu comigo e o dia em que ele me saltou fora comeu o mamute e o mundo abriu-se respirei fundo finalmente tinha conseguido a visão vi no horizonte a possibilidade de horizontes com olhos de absorver mundo, mundos coisas essenciais para digerir o titã e tudo passou a resumir-se a um papel com a ajuda do tirano a pingar sangue dos dentes infelizmente a vida ser-me-á curta demais para a consumição que se acomodou em mim sei que até morrer não terei digerido mais que umas células enfim, suspiro é o que me calhou de ser tão enfartado e sem tempo 15-04-2026 |
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| agniceu | Publicado: 15/04/2026 21:26 Atualizado: 15/04/2026 21:26 |
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Colaborador
Usuário desde: 08/07/2010
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A valsa dos distraídos
Não dançam, não passeiam, nem caminham. Imóveis, olham para o espectro dos seus reflexos, aquele lado oculto depois do íntimo, alienado de todos os ciclos. Há muito que deixaram de ser sombra para os sapatos. Anoitecem os passos. Afastam o caminho. Tornaram-se ocos troncos, despidos de ramos, deixando cair as folhas antes das palavras florirem, secando a tinta dos seus dedos sem nunca assinarem o início. Suas raízes perderam o primitivo solo, nascendo no novo chão sem fundo, chamado de solidão no antigo território do coração. |
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| FragmentosdeSonhos | Publicado: 16/04/2026 15:03 Atualizado: 16/04/2026 15:04 |
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Da casa!
Usuário desde: 03/07/2025
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"O Velho e O Mar"
. . . O Mergulho que Revela Não é na espuma que a vida se diz Nem no brilho breve do que é feliz O raso encanta mas logo se vai Como onda leve que beija e se desfaz O profundo chama inquieta e revela Ali onde a alma se encontra com ela É no abismo calmo escuro e inteiro Que o homem descobre se é verdadeiro Pois o tempo leva o que é superfície Mas sela no íntimo o que é raiz E aquele que ousa descer sem temor Encontra no silêncio a sua cor Se os anos passam que passem com vida Não como sombra mas chama erguida Que o mar não seja apenas cenário Mas espelho vivo do que é necessário E que ao final da travessia cansada Mais que a pesca ou a rede lançada Permaneça em nós como eterno pulsar A coragem profunda de saber se entregar 16/04/2026 |
| Enviado por | Tópico |
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| Liliana Jardim | Publicado: 17/04/2026 15:41 Atualizado: 17/04/2026 15:42 |
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Colaborador
Usuário desde: 08/10/2007
Localidade: Caniço-Madeira
Mensagens: 4524
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Feito de silencio e mar
Lá vai o tempo em que ria e chorava e as risadas ecoavam aos meus ouvidos como cânticos de pássaros chilrando agora a palidez das cores seca o meu olhar e um esgar atordoa a mente É a saudade a embalar-me como se ainda fosse uma criança punhais aguçados desbravando as cordilheiras do pensamento pedaços de brisas balouçando no peito feito amor E nos cantos da memoria vive o teu eco feito de silencio e mar Escrito a !6/4/26 |
| Enviado por | Tópico |
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| Luxena | Publicado: 17/04/2026 19:40 Atualizado: 17/04/2026 19:45 |
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Da casa!
Usuário desde: 07/03/2025
Localidade: Brasília
Mensagens: 237
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Ressublimação
a aranha subindo pelas paredes chega às minhas entranhas planejando mais façanhas e isso me convém o "rancor" condensado sai aos litros, vazão revelando um outro lado enquanto cai pelo chão e dá uma lição que repete: — isso te apetece comigo querendo ou não |
| Enviado por | Tópico |
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| Aline Lima | Publicado: 20/04/2026 02:01 Atualizado: 20/04/2026 02:49 |
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Administrador
Usuário desde: 02/04/2012
Localidade: Brasília- Brasil
Mensagens: 1180
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Abaixo do Nome Acorda. Não por vontade, por ruptura. O peito já vinha cheio. Algo cede e te empurra. Não pensa. Vai. Sem motivo é mais exato. O que sobra atrapalha. Fica na areia, encalha. Qualquer explicação já é atraso. Desfaz o caminho da ideia até a boca. E quando vê, já está dentro. Foi levado. Só há avanço lento, contínuo. Mar por baixo, sem pedir licença. Água na cintura. Depois no peito. Depois em tudo. Não pergunta se há fundo. O fundo já não responde. Não há direção limpa. Só o que puxa. E isso dói sem nome. Não pede. Não solta. Afunda em silêncio, como se ainda fosse possível voltar. Mas não é. |
| Enviado por | Tópico |
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| gillesdeferre | Publicado: 20/04/2026 10:57 Atualizado: 20/04/2026 10:57 |
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Colaborador
Usuário desde: 14/06/2024
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"A despedida"
nessa voz tangente de asa na vaga imediata disse o fim nos teus lábios quando os corpos se afastavam líquidos lentamente rarefeitos pingos ácidos de horas verticais adeus língua morta |
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| DCM_78 | Publicado: 24/05/2026 18:00 Atualizado: 24/05/2026 18:01 |
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Super Participativo
Usuário desde: 05/01/2026
Localidade: Lisboa
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Dor
A dor de ser invadido pela angústia A dor de falhar A dor da rejeição A dor de ser separado de alguém pela morte A dor de não ser suficientemente bom A dor de ter chegado ao fundo do poço A dor de querer chorar e não conseguir A dor de me sentir a envelhecer A dor de viver à margem A dor de achar que sou uma fraude A dor de querer algo que parece não existir A dor de presenciar injustiças A dor de parecer inadequado A dor de ficar distante e só A dor de por vezes me faltar confiança Qualquer que seja a dor que possas estar a sentir, por favor, acredita em ti e não desistas. |