
| Enviado por | Tópico |
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| Alemtagus | Publicado: 13/04/2026 19:10 Atualizado: 13/04/2026 19:10 |
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Moderador
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Localidade: Montemor-o-Novo
Mensagens: 3958
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Quantas vezes o silêncio diz tanto
E o orgulho fere a gente de morte Dia sim ou não, talvez seja assim Pinta céus de estrelas num pranto Preg'as mãos na cruz em cor forte E canta esse teu fado só para mim Quantas vezes o silêncio é distante Se contorce pelas avulsas palavras Parte sem volta e esquece sem dor Desse calor a esfriar num instante Dessa terra que docemente lavras E semeias quando gritas por amor Quantas vezes o silêncio foi fome Das tuas mãos ali olhos nos olhos No chamego destas, saltimbancas No breve aperto que lhe consome As horas gastas de tempos velhos Fazem negras duas almas brancas |
| Enviado por | Tópico |
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| klopes | Publicado: 13/04/2026 20:15 Atualizado: 13/04/2026 20:15 |
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Participativo
Usuário desde: 15/02/2026
Localidade: Lisboa
Mensagens: 40
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Rubel- "O Velho e o Mar"
Faina Nós de dedos gastos, grossos como raízes que a areia não prende. O sal morde a bacia — lateja, ferro frio, no fundo das costas. Tanto peso. Tanto. Ali, onde o azul se faz abismo e muro, o sopro veio de feição — empurrando a sorte. É o balanço, mas o corpo já não tem prumo que o sustente, mesmo aqui, mesmo firme, no que não mexe. O que o sopro trouxe, a boca mastigou: pão amargo, arrancado aos dentes da espuma. Um homem não envelhece — endurece, apenas, couro curtido pelo que fustiga. As juntas chiam, chiam, como roldanas de outrora: falta o óleo — sobra o desgaste. A marinhagem agora é interna, maré contra maré, subindo, surda, na mente. Olho as mãos: escamas de pele, sulcos de quem puxou o mundo para terra e ficou — só — com o frio. Amanhã, o horizonte voltará a ser dono, e eu, entre a duna e o abismo, esmagado, medirei a distância entre o que fui e o silêncio — que range. Carlos Lopes |
| Enviado por | Tópico |
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| AlexandreCosta | Publicado: 13/04/2026 23:39 Atualizado: 13/04/2026 23:41 |
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Administrador
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Mensagens: 1462
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"A Despedida: A Maçã de Adão" - Aldina Duarte
(A)Trevo são três partes que te encomendo três folhas de um pé, amassadas três cabeças-cobra atiçadas de má sorte, azar sem remendo hás-de ir ao chão, por um de quatro entre as urtigas, mas descrendo na contrição terás, sofrendo a maçã podre, o fim mais atro inútil será o innuendo ou paga oposta, bruxaria a quem da morte já sabia: eu... que aos poucos fui morrendo 14-04-2026 |
| Enviado por | Tópico |
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| Benjamin Pó | Publicado: 14/04/2026 16:32 Atualizado: 14/04/2026 16:32 |
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Administrador
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um velho a armar não sonha com leões na praia nem com espadartes no veleiro talvez se distraia com explosões estandartes e um mealheiro que arremessa como criança que se cansa depressa do novo brinquedo conto-vos um segredo é possível que no seu jacuzzi de combustível use e abuse da cobardia alheia esquecendo que o fogo que agora ateia e finge que não vê atingirá o patinho de pvc e a sua mão esticada como ave romana e a grandeza que agora emana será punho cheio de nada (inspirado em "O Velho e o Mar", de Rubel) |
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| Alpha | Publicado: 14/04/2026 17:26 Atualizado: 14/04/2026 17:26 |
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Membro de honra
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A carta que te deixo
A carta que te deixo nasce no fim do silêncio dobrada em noites longas onde ainda eras casa. Escrevo devagar como quem se despede de um lugar que amou mais do que devia Entre o que fomos e o que já não somos fica este espaço suspenso onde a vida se esfumou Levo comigo o que fomos em gestos que o tempo não soube apagar nem ensinar a ficar E deixo-te em cada linha um adeus sem regresso como quem fecha a porta sem a voltar a abrir! |