Algumas vezes eu acordo a porta se fechando
Imagino as palavras sem espaço sem sua luz
E por onde antes os versos livres iam entrando
Um vazio amargo solitário feiticeiro sem capuz
Até que um feixe colorido atravessa o ar denso
Quebra o silêncio frio preenchendo meu peito
Seu olhar seu sorriso se espalha como incenso
Ouço o ranger da dobradiça um verso estreito
Uns dizem são os sonhos a fonte da inspiração
Outros já asseveram ser a dor o grande clarão
Fico imaginando o que me faz sentar e redigir
O que faz de uma canção esse profundo sentir
Deus abençoe quem fica do outro lado do portão
Carlos Correa