O Cântico das Horas Invisíveis
Vê como a tarde se inclina, qual madona em prece,
Sobre o abismo das coisas que o tempo não esquece.
Há uma liturgia no pó que o sol atravessa,
Um silêncio que reza, uma falta que apressa.
Não são cinzas os fios que a fronte agora ostenta,
Mas o luar tecido que a saudade amamenta;
Pois quem amou o abismo, o desterro e o espinho,
Sabe que a solidão é o mais nobre caminho.
O cotidiano é o altar onde o sagrado se esconde,
Onde a pergunta se cala e o vazio responde.
Ama a tua ausência como se ama um segredo,
Pois o infinito mora onde já não há medo.
Chris Katz
Sou Mundos!
Chris