Por um tempo ambíguo sem meio e sem começo
Estive nas margens frágeis das silhuetas da escuridão
Caminhei por letreiros dizendo ser o que mereço
Um lugar com o perfume da culpa joelhos ao chão
Foi então encontrando as ruínas que a vontade se foi
Das margens frágeis criei as estruturas de uma prisão
As vozes ao longe se confundiam com a de um herói
Aos poucos já não fazia mais sentido qualquer questão
A nobreza da dinastia bourbônica
Depois de um longo bocejo me deitei e dormi
E naquele sono tranquilo recarreguei meu amor
Eu fiz da lágrima que caiu meu próprio oceano
Das cordas tristes dos bandolins fiz o meu solo
Me fiz forte mais forte já não me sentia profano
Tudo que sempre desejei foi te ter em meu colo
Hoje tenho a energia de cada um dos sete mares
Tenho ao meu lado os fios vermelhos do amanhecer
E ainda que possam existir no mundo mil olhares
Seus olhos e seu sorriso serão os únicos que irei ver
Deus abençoe essa força que vem do oceano
Carlos Correa