Janela indiscreta
Há uma flor exposta na janela dos olhos.
Resiliente aos invernos da alma e constante
no matiz que contorna a boca do dia.
Nem mesmo a explicita névoa que entorna
Um corpo macio haveria de modificá-la
Entre tantos nus expostos na galeria
Do tempo, certamente a fumaça dos
Cigarros não tiraria seu formato de flor.
Qual ser poderia mirá-la sem espanto?
Perfeita como uma estrada sinuosa
Linda com o carmesim exposto
Aos olhares inquietos e presunçosos
Quem poderia olhar e não a desejar?
O visgo na língua entumecido
Querendo expor a libido
orgasmos a eclodir na paisagem
viva sem atenuar a janela indiscreta,
a sobeja de tanta beleza de uma lua
vermelha de paixão!
Passando para matar as saudades!