Na escuridão
os meus sentimentos deixam de usar rostos emprestados.
O luto senta-se à mesa sem se esconder,
o amor solta as mãos trémulas,
e o medo já não finge
ser força vestida de silêncio.
A noite não exige representação.
Nenhum sorriso costurado sobre horas partidas,
nenhuma edição cuidadosa do coração.
Aqui, as sombras não me ocultam —
abrem espaço para cada dor sem nome,
cada alegria frágil que teme a luz do dia.
E, de algum modo, na honestidade da noite,
os meus sentimentos aprendem
que nunca foram feitos para se esconder.
© | Palavras guardadas, todos os direitos reservados, Paula Oliveira,Portugal
Sentimentos soltos e a usá-los como escudo de nosso saber