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O mundo do sr. Con - domingo

 
Domingo, 24
Noite na pensão Vince – Vila Embratel
O sr. Com desistiu de assisti o “Fantástico” na Tv Globo, a sra. Vince um pouco acima do chão puxava conversas futes e não o deixava ouvir as reportagens, mas no final já deitado, levantou-se para ver o embarque dos três taikonautas chines rumo a estação espacial deles, quebrando a hegemonia dos americanos.
Saiu do hospital do Bacanga – antiga Unidade Mista, as seis e meia da manhã de sábado, ainda sobre efeito paliativo do poderosos analgésico injetável Tramadol@ e consciente do que lhe provocara aquela dor no abdome – uma formação nodular na glândula adrenal direito de aspecto indeterminado – conforme o laudo da tomografia expedido pelo Hospital da Mulher. Foi uma noite inesquecível e movimentada que começou as duas da tarde de sexta-feira na pensão, após as dores intensificarem, resolveu procurar ajuda medica – a principio pensou em chamar uma ambulância da SAMU – a sra. Vince se adiantou e telefonou para o cunhado o que deixou o sr. Com irritado, bastante irritado: - Não, por que no SAMU tem que ter um acompanhante – desculpou-se.
- Não, não telefona para ninguém, vou de ônibus.
Então a paciente e preocupada filha Mais Velha aparteou:
- Vou chamar um UBER para o senhor! - disse com o celular nas mãos.
- Não tenho dinheiro, filha. Obrigado.
- Sem problema, sr. Con eu vou pagar – já marcando o encontro – é Vila Embratel.
Sem saída, o sr. Com mudou de roupa ou melhor envergou a farda de sair – apanhou as folhas de Chamex que ora usa como caderno improvisado para seus apontamentos e os colocou entre as páginas de “Uma Breve Sexta-feira” de Singer. Não demorou muito um vistoso veiculo estacionava em frente a pensão. A mais velha o aguardava no terraço e correu para a abrir a porta traseira e com dificuldade acomoda-lo – a dor era intensa e qualquer movimento era um Deus nos acuda – Tudo isso já relatei nos textos anteriores, intitulado “O Mundo do Sr. Com – Hospital – I e II”
Atravessei pela faixa de pedestre, as duas pistas da Avenida dos Portugueses e na parada próximo a entrada da Feirinha apanhei o primeiro ônibus que apareceu – o Tramadol perdia o efeito. Desci em frente a Praça da Vila Bacanga, passei novamente as duas pistas da mesma avenida no sentido contrario e agasalhei-me debaixo do abrigo, sentando-me para aliviar a pequena dor do esforço. Minuto depois embarcava num 314 – Vila Embratel vazio, vindo do centro da cidade.
Na pensão todos ansiosos para saberem o que houve o que eu tinha: contei-lhe tudo, tim-por tim. O sr. Vince também sofrera um pequeno acidente doméstico, deu uma topada com o dedão do pé esquerdo que sacou a unha, sangrou e ele é diabético – e não sentiu nada. Caçulinha o levou para fazer curativo no Posto Médico da rua 14.
O dia de hoje foi tranquilo 0 sr. Com sentia dor leve apenas quando fazia algum movimento – um bom e lauto almoço dominical preparado pela prestativa sra. Vince – arroz, feijão, cuxá, torta de frango desfiado, carne de panela e o manjar dos Deuses – tripinha de porco frita – e o poeta caiu pra dentro, tirando a barriga da miséria e depois arrematou com um bom copo de Coca-Cola Diet e gelada do sr. Com e rede.


 
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efemero25
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