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O mundo do sr. Con -quinta-feira

 
Quinta-feira, 28
- Constantino Dostoievski? -perguntou uma voz no terraço para a Sra. Vince.
Mais de mil o sr. Com pulou da rede e deparou com a figura do carteiro e o envelope na mureta do terraço ao lado da Sra. Vince.
- Já vou! Gritou e correu sem calçar as havaianas.
- Assine aqui! – apontou o carteiro para um x abaixo de seu endereço no envelope amarelo que juntamente com a camisa da mesma cor reluziam ao sol de uma hora da tarde.
- Ok! – rubricou seu jamegão e o carteiro posicionou o seu celular e fez o registro – Pronto – e foi embora sem muita cerimonia.
A sexta carta devolvida por endereço não encontrado com o seu sonhado original “O Mundo do Sr. Con – a primeira das duas italianas. Das nove cartas, apenas uma foi entregue ao destinatário conforme o AR – Editora Patuá, São Paulo – faltam a 7letras e a Feltrelli. E a vida segue o seu curso, o que será, será e pronto. Depois da decepção do indeferimento do seu BPC, o plano do poeta e não fazer mais porra nenhuma de planos, nada – deixa o rio seguir o seu curso. Concluiu o romance de Montello “Uma varanda sobre a o silencio”.
As dez horas da manhã, o sr. Com saiu levando consigo uma sacola de goiabas e o livro de Edir Macedo –“Nos Passos de Jesus” que ganhou na fila da APAE, quando guardava a vez para fazer o seu exame de sangue uns meses atrás e suas folhas de chamex para uma eventual anotação. Começou a distribuir as goiabas para algumas pessoas bom gratas – primeiro my Teacher Luis, Joca, o camelô e seus parceiros, o açougueiro Mazico, o taverneiro Charmille e enfim o mestre Lasierra – feliz pela aprovação da nova lei do trabalho.
Na Praça das Sete Palmeiras, o microcosmo dos artífices do arraial em atividade: Seu Cesar, o carpinteiro montava as colunas do portal de entrada – Sr. Cinzay, o artesão das mensabas preparava-se para montar uma janela.
Descendo a Avenida Sarney Filho, o odor dos salgados dos paraibanos mesclando com os galetos assando no Vila Galeto – ambos nos cantos – o primeiro na rua 18 e o outro na 19.
Quitou uma parte com Ed Paul e desceu rumo a estação Gordilho para outro acerto parcial de conta – e moscou até ao meio dia, consumiu um guaraná com bolacha recheada e levou para a pensão um copo de seleta de milho e ervilha que adicionou na galinha e almoçou.
Uma boa noticia a pequenina lhe deu – agendaram sua consulta com o urologista para o dia 11 de junho numa clinica aqui mesmo na área do Hospital do Bacanga – Aleluia! É Deus operando! -exclamou.
Noite
- Lillo? Lillo tá comendo o quê ai, Lillo? – ralhou a estressada Pequenina para um dos danados dos gatos que fazem a festa no pos-jantar. Ela recupera as forças para encarar as louças – panelas e pratos amontoados na pia. O pai recusou-se air fazer curativo no dedão do pé esquerdo no Posto Medico da rua 14. O homem é teimoso e diabético, deu a topada e nem sentiu que se feriu a unha. O ferimento tá feio em carne viva. Tirou a gaze e deixou-a a exposta. Cismou que está curado, não necessita mais fazer curativos.
Sr. Com jantou um bom bife bem passado com caldo de galinha do almoço e feijão, milho e ervilha. Um bom filme “Estrada do Crime”. Um banho ao luar no quintal -a lua super linda. Concluiu “Janelas fechadas” – do mestre Montello, que o escreveu aos vinte anos, entre janeiro e março de l938 – recém chegado ao Rio de Janeiro e publicado em 1942 e reescrito em 1982. Misturou as pomadas numa só e passou as frieiras depois de coça-las selvagemente e voltou a reler “Baudolino” do mestre italiano Eco.







 
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efemero25
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