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O mundo do sr. Con - terça-feira a noite

 
Terça-feira começo da noite -26/05/26
- O comer é ovo! -avisou a sra. Vince a bom som os seus pensionistas o jantar.
A noite tombava sobre a Vila Embratel
- Tem um gato aqui na rua raspando a porta – alerta a Sra. Vince com a mão literalmente na massa, preparando a ração de seus amados animais – misturando arroz recém preparado com o resto do cozido e o caldo do almoço – Cadê Pequenina? Tem um gato querendo entrar – grita sentada na sua cadeira abacial na exígua dala de estar com a bacia de plástico sobre as coxas enquanto assisti as travessuras de Carminha contra o corno do Tufão no clássico “Avenida Brasil” – a ultima das boas novelas que a Globo produziu nos anos 2000 – Para, cachorra! Para ai bicha! – levanta e vai para cozinha se arrastando como aquelas pretas velhas de Debret, preparar as porções e dividi-las nos seus respectivos cacos -Shana! Shana, vem jantar! Bora, Lui, entra!
Quando o sr. Com fechou a janela de seus humildes aposentos viu o casal de cães na calçada atras da cancela de ferro do terraço esperando o rango deles, que a Sra. Vince lhe dão todos os dias – almoço e janta. A pequenina, tal como uma servente de um restaurante popular distribui os cacos entre os felinos e sempre rola uma confusão.
- Passa! Passa! – espanta a Sra. Vince na calçada o parceiro de Felpuda – Deixa a menina comer em paz – entra na sala, empurrando a porta emperrada de supetão e reclama: - Tem um bando de arroz e não quer comer, o danado não deixa a pobre comer.
-Por enquanto não – respondeu a pequenina com a flash do celular aceso vendo as goteiras da sala do computador – Ainda não – E a chuva recrudesceu. Na sexta-feira passada, enquanto o Sr. Com tomava suas medicações intravenosas com soro no Hospital do Bacanga – um temporal torrencial com vendaval desabou sobre a cidade, uma pequena catástrofe com destelhamento e arvores caindo na área do São Cristovão, até o um senhor morreu.
- Hum, hum – resmungou a Sra. Vince ao ouvir o ronco estrepitoso do marido – Cruz, credo! – na penumbra de seus aposentos.
O poeta quitou-se parcialmente com seus credores: Seu Lasierra, o botequineiro dos riscos e das vodkas; O seu cumpadre que não ficou muito satisfeito e o açougueiro Mazico, o homem do aceite de Babaçu. – Ficando Gordilho e Ed para amanhã – Ainda tinha o pagamento antecipado do padeiro -e assim o recurso escorria entre seus dedos, voltando a estaca zero
Transitava no mundo montelliano e seus dramas urbanos – ora em São Luis, mais principalmente no bairro do Anil no começo do século passado (Janelas Fechadas) ou no drama carioca da mãe e desaparecimento do filho no auge dos anos de chumbo (Uma varanda sobre o silencio)
Ceou três sandubas de ovo frito com café e depois Tanduou e a Voz do Brasil.



 
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efemero25
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