Quarta-feira, 08 ou o dia que Diogo Mainardi almoçou no popular
Manhã – todas barracas de palhas beirando a avenida Sarney Filho no arraial junino da Praça das Sete Palmeiras foram abaixo- restou apenas amontoados de palhas espalhadas. Um pombão preto e empolado como todos os mordomos das series inglesas corteja selvagemente uma virtuosa, inocente e bela pombinha no meio do terreiro.
- Ei, poeta! – Gritou o camaroeiro e tambozeiro do mercado – Cadê Juvan? – perguntou passando ao largo – Cadê o home?
“Curta a vida que é só uma” grafitaram atrás da arquibancada rasa da praça do Viva ( assim batizada após a restauração no gov. de Mamãe Roseana nos anos 90 do século passado) – o céu com nuvens de carneirinhos. A chuva de madrugada expulsou o velho Tom do terraço da pensão. Uma cadelinha chocolate e pacifica aproximou-se cautelosamente do poeta e este acarinhou sua cabeça: - Olá, Cane! Tudo bem? Zulu, o gato grande da padaria renascer expulsou uma gata rajada que entrou na casa da irmã de Painé.
Na edição do jornal Extra, 29 e 30 de novembro de 2015 – a triste noticia da morte do grande poeta conterrâneo Nairo Machado e coincidentemente mais abaixo o segundo capitulo de “Tuberculose”. Sr. Com lia compulsivamente os capítulos que lhe traziam boas recordações e a afirmativa que escrevia para caralho como uma vez frisou o velho Hall(IA).
Tomou um Dortrielox – para amenizar a ciática – Uma pernada até o São Benedito para pegar uns livros: “Twist” de Tom Crass, “Monumento ao desejo(poemas)” de Altemar Lima; “O homem Fatal” de Iréne Frain e o polemico Diogo Mainardi “A Tapas e pontapés” -crônicas do primeiro mandato de Lula. – todos cheiram a mofo – Troquei-os por dois livros didáticos de espanhol com um doidinho – Valeu e comecei Mainardi.
Ganho três reais num escambo com seu Roré, o irmão que trocou o Bispo Edir Macedo pelo apostolo Valdomiro Santiago – que deu uma guinada – ex-loucão, cachaceiro e pedreiro (usuário de pedras de crack) mudou do vinho para a agua. Legal.
As onze Juvan estacionou a moto no beco da discórdia e conversaram até ao meio dia, citando a loucura de Jumar banhando núzinho no beco da casa dele. Conversas em dias foram almoçar uma feijoada no restaurante popular. Poeta levou Mainardi e meio tímido seguia os passos de Juvan – a bandeja, o prato de louça, a colher e os garfos – a colherada de arroz, farofa, a substanciosa feijoada com tudo que tem direito – porco, carne, linguiça, a salada de repolho - mano o bicho táva muito gostoso, Dona Rosa, a baroa do Resende repetiu o prato voltando para o rabo da fila - tablete de goiabada e um copo com suco de manga – O poeta colocou Mainardi bem no meio da mesa de seis assentos, três de cada lado, como daqueles refeitórios americanos sempre ao lado de Juvan que inclusive pagou o rango – dois reais. E ai Mainardi, o que tu dirias desse projeto popular? Agradeci ao mentor, o mestre Flavio Dino que começou e o atual governador ampliou para os bairros populares. No final, quando entregava a bandeja e o prato, o mestre Careca deu o berro: - Olha, meu povo, esse aqui é cabaço e voltou para mais um prato entrando no final da fila. O poeta de barriga cheia voltou para a pensão da próxima vez levará o cartão de transporte.