Quarta-feira, 27 de maio
Um encabuloso vem sentar-se ao lado do poeta – Deram uma geral na Praça das Sete Palmeiras – mas os galhos e as folhas da poda ainda amontoados sobre os canteiros – O encabuloso, um néscio tenta fustiga-lo com perguntas sem nexos a respeito de seu celibatário.
- É vou ali, não fura! Não pratica! – disse levantando-se e vendo que o poeta não lhe daria lenha para sua idiota fogueira sartou fora, meio sem graça.
O leve aroma de marijuana no ar como nos logradouros de Nova York, Amsterdam e na estação de trens de Zurique, Suiça.
Irmão Robson levando o filhote no quadro de sua surrada magrela e discutindo com um transeunte no lado do Frigo Lucio. Antes era o famoso Quiró, ladrão velho e costumaz, que metia o bicho em qualquer coisa vendável de bobeira. Pode ter se convertido, mas o jeito continua o mesmo – sempre ágil mascateando produtos de origens suspeitas e sempre aberto a polemicas, daqueles que não deixa almoço pra janta – Eu te passo o rodo, tá pensando que eu presto – costuma dizer quando ameaçado. Mas no fundo é prestativo e muito solidário.
O poeta entregou o recurso ao Mestre Bardaux, que Juvan deixou desde a semana passada. Comprou seus produtos higiênicos no Antonio’s da Praça do Bacurizeiro: desodorante, sabonete e leite de rosas. Pagou adiantado o padeiro da Padaria Renascer. E aproveitou a saída do encabuloso para o seu banho de sol. Os operários do Arraial chegando carregando suas ferramentas – as palhas para serem estaiadas, cobri as barracas – Cinzai, o artesão-mor na confecção em palha das mensabas para as portas de janelas. Um barraco feio ontem a tarde – o vizinho Marciobomba chamou a policia para prender a prima, acusando-a de acoitar o namorado e fumarem maconha a noite toda. Vou um para para acertar -não a levaram por intervenção dos vizinhos que intercederam ao seu favor. Seu Marciobomba, além de deficiente visual, não bate bem da bola – é esquizofrênico não patológico. Amanheceu arrobando a porta do quarto dela, que impacientou a Sra. Vince: - Seu Marcio, o senhor tá doido, quer derrubar a casa? -gritou lá do quintal.
Na CEMARC da Alemanha – senha 42 e chamam a 33 – Lê “Uma Varanda sobre o silencio” do mestre Montello – quase uma hora depois é atendido. Não agendaram nada, está na lista de espera.
Da Alemanha o poeta embarcou para o IPASE – Shopping da Ilha – tirar a carteira do sus nova – Deu tudo certo. O poeta sentiu-se um matuto num ambiente que não é o seu.
De volta ao centro, quase meio-dia, deu um tempo na Biblioteca da Deodoro e pasmem lendo “Hilda Furacão” daquele mineiro malukete que tanto gosta Roberto Drumond.
As uma e meia – um bom café com dois pães numa padaria na rua grande em frente a casa de velórios da PAZ união.
As duas chegou na repartição. Um vigia quis tira-lo de tempo, dizendo-lhe que seu acompanhante social viria somente na semana que vem. Mas como todo bom brasileiro, resolveu espera-lo – quase meia hora depois o dr. Chegou. Bem, nada – o pedido inicial para o BPC foi indeferido depois de três meses. Bem fazer o quê? O doutor protocolou no novo processo e pediu-lhe para ir na próxima sexta – Ora, ora, ora – Ele vai, mas sem muita fé. Coisas da vida, esses atropelos são comuns na vida de nosso herói, sempre foi assim.. ainda vai penar, mas um dia sai.
Voltou para pensão, deitou-se para aliviar o cansaço, ainda bem que a dor não apareceu.
Mas a boa mesmo veio no jantar – havia separado umas salsichas para o seu sanduba, quando aleatoriamente abriu uma panela e meu, o que viu que extasiou os seus olhos e seu paladar – uma boa dobradinha! Na mesma hora esqueceu os sandubas e caiu matando na saborosa ‘buchada’ – valeu, não se aposentou, mas jantou bem... obrigado Senhor!