às vezes, do outro lado da rua
moram várias árvores de copa ausente em parte incerta
mas todas de came(lo)s por cabeça
fazem derrapagens à meia noite
o vento surpreende-lhes os ramos
e mesmo assim esbracejam pelas janelas
enquanto esfolam os cascos sulcos uniformes
alisam os cotovelos até às raízes
e acendem cigarros quando patinam as folhas no asfalto
o fumo parece os fantasmas que cada uma carrega
orgulhosos machos pendidos de frutos monóxidos
auto-suficientes em sonda naso-gástrica
desenham infinitos no solo cansado
até à vez de saírem a direito
chocam de frente, mas os muros nunca reclamam
já os vizinhos chamadores de agentes da autoridade
estão perfeitamente cansados
do sossego quebrado por roncos de árvores
e assobios de fumadores acostumados às bandeiras
de partida, de partir e nunca ir embora
até um qualquer dia fatídico de deixar de fumar
27-05-2026