Poemas : 

Árvores de cames

 


às vezes, do outro lado da rua
moram várias árvores de copa ausente em parte incerta
mas todas de came(lo)s por cabeça
fazem derrapagens à meia noite
o vento surpreende-lhes os ramos
e mesmo assim esbracejam pelas janelas

enquanto esfolam os cascos sulcos uniformes
alisam os cotovelos até às raízes
e acendem cigarros quando patinam as folhas no asfalto

o fumo parece os fantasmas que cada uma carrega
orgulhosos machos pendidos de frutos monóxidos
auto-suficientes em sonda naso-gástrica

desenham infinitos no solo cansado
até à vez de saírem a direito
chocam de frente, mas os muros nunca reclamam

já os vizinhos chamadores de agentes da autoridade
estão perfeitamente cansados
do sossego quebrado por roncos de árvores
e assobios de fumadores acostumados às bandeiras
de partida, de partir e nunca ir embora
até um qualquer dia fatídico de deixar de fumar


27-05-2026


 
Autor
AlexandreCosta
 
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