Nasci onde o mar abraça as pedras nuas
onde a névoa dança à luz de varias luas
sou filha da rocha, do vento e do mar
nesta ilha que ainda me permite sonhar.
O verde desliza pelas encostas abaixo
no levadio das ondas encontro o meu lugar
há um perfume de giesta e de terra molhada
que guia os meus passos em cada caminhar
Sou o eco que se perde na parede do tempo
uma sombra estendida na soleira do dia
metade palavra e a outra metade lamento
desenhando contornos de uma geografia fria.
Moro neste espaço entre o som e o espelho
onde o olhar se desvia e procura o mar
o mundo lá fora veste-se de vermelho
mas eu prefiro a penumbra do meu calar.
Rodeada de água, um manto de azul sem fim
onde permanece o meu eterno lamento
que guarda os segredos prensados em mim.
Escrito a 15/06/26