Aceito o cansaço que me prende os passos
nesta moldura onde os dias são sempre iguais
e as paredes devolvem o eco dos meus passos
buscando palavras que já não voltam mais.
Há uma saudade de aço que me dilata o olhar
misturada com a lama e chuva na janela
enquanto o tempo insiste por mim passar
nesta pressa invisível que me faz pensar.
Trago nas mãos a inutilidade do que escrevo
remendos de silêncio sob um céu de magoa
olho o estado das coisas e o que lhes devo
nesta insanidade perfeita, tão virginal.
Todos os sonhos deitam-se comigo á noite
e os dedos sonolentos desenham a solidão
deixando que a dor seja um breve açoite
antes que a última luz se apague no chão.
Escrito a 28/05/26