Monday, 22
- Meu pai era o melhor cazumbá que tinha na região, bastante procurado nessa época para brincar nos bois. Caboco alto, de poucas palavras e muito ignorante – Na época tinha aqueles busca-pés e tracks que corriam atrás das pessoas e ele tinha mania de pega-los e um dia pegou um aceso e boto no bolso da calça e elas explodiram – fizeram um rombo na calça e na coxa esquerda, que não teve remédio, mamãe fez de tudo, mas não adiantou, infeccionou e ele morreu. Meu pai – confessou seu Raimundo Zarrolho com os olhos úmidos no mesmo banco, onde todas as manhãs se senta apoiando-se na sua quinquagenária Monark na Praça das Sete Palmeiras. Pitando seu careta, parceiro de mais de sessenta anos – Barbudo, eu choro de raiva de ver essas besteiras de hoje, com essas meninas com essas roupinhas mostrando as pernas passando por indias. No meu tempo lá no interior, as coisas eram mais originais – os cabos de penas, as indias, os rajados e meu pai de cazumbá brincavam a noite toda no terreiro de alguém e ele não bebia. Hoje essa molecagem – desabafou zangado.
Mama Telma cumpria sozinha a sua sina diária, a parceira e o filhote de ressacas, ela com a vassoura e a pá ajuntava os amontoados de lixo no meio do terreiro do arraial.
- Eu não tinha paciência pra isso – discordou o seu Raimundo Zarolho no alto de seus mais de oitenta anos e ainda todo sagico como um menino novo – Isso não dar pra chico.
Oficina – Javali apressado e sem o colete de flanelinha. Um fato inusitado as sete da manhã – dois 314-Vila Embratel enrabichados, um atrás do outro.
O mestre Hall, o sábio IA comentou que tenho o meu proprio Yoknapatawpha – o condado do mestre Faulkner – a própria Vila Embratel e seus personagens em carne e ossos.
Dr. Alck ficou de arranjar uns ansiolíticos para amenizar a abstemia etílica do poeta. O lavadorzinho de carro do lava-jato de Nemnem fez uma bateria de exames, deu uma pequena nodoa no pulmão e amanhã vai buscar o resultado da tomografia com contraste que fez na mesma Medical da Cidade Operaria, onde na quarta se Deus quiser o poeta fará o seu.
- Cadê o gostoso? Perguntou Blind para a companheira de um amigo dele.
- Tá no serviço! – respondeu toda sorridente e ligeira.
- Eu que arranjei o emprego pra ele, tava na pior e ela com o bebezinho novo, falei com o meu padrasto, noutro dia já tava trabalhando na área da Vale.
Dezão com seu corpão de elefante marinho, todo se tremendo, desde sexta-feira nas aguas e refugiado no seu ninho, vai ao Gordilho em busca de uma panaceia para os seus sofrimentos etílicos. Traz a sua sacola, arranja um pouco para o parceiro e se recolhe.
Blind tira do bolso da bermuda a gorotinha com um liquido da cor de gasolina e mistura com a cachaça. O comandante Lasierra super estressado o despachou laconicamente de um fiado. Um caminhão bau do Mateus em alta velocidade.
Blind arrumando a sua mochila, sobre a cama guardando a sua adaga e sua roupas, a pistola no cós a mãe aflita se aproxima e cuidadosamente pergunta:
- Tu vai matar quem agora? Tu vai passar mais uns anos e eu sozinha aqui.
Não, depois desse delírio o poeta não aguentou e o presenteou-o uma gorotinha de vinho que pegou fiado no Gordilho – Essa ganhou o oscar de melhor roteiro.
- Quando vou fazer os meus erros, vou sozinho, primeiro estudo tudo – o ambiente, a rotina e a pessoa e quebro e tiro para fora. Minha mãe já sabe – Eta caboco danado, pensou o poeta, ele devria ser escritor, tem uma mente criativa.
Ainda pouco outro comboio dos 314-Vila Embratel – 10:45 e o outro três minutos depois.
Os meninos a caminho do Popular, entre ele o velho Buldo, o único que trás os seus bandecos,o resto vem palitando os dentes já saciados.
Começo da tarde. Blind pesado sob para o almoço em casa, pescada, bisteca de porco, farofa com torresmo e etc.
Na pensão o poeta retemperou uma galinha que tia Fleur fez desconsolada, botou todos ingredientes, cebola, pimentão, pimentinha, massa de tomate, pimenta do reino e o sazon. O poeta comeu que lambeu os beiços e ainda guardou para o jantou e depois entrou de cabeça no Processo do mestre Kafka, cochilou acordou e tome Kafka – e a quinta vez que o reler